17 outubro, 2013

Diário de um eleito (1)

Num longo instante, aconteceu: todos os eleitos foram empossados e seguiram-se as votações. Foi uma cerimónia, sem o ser. Foi um acto sem dignidade. Nem fotos, nem palmas, e o público, desistindo de estar naquelas condições, foi partindo (talvez) com a consciência de não ser querido. 
Tinha pensado o que passei a escrito e depois dito: que a previsibilidade, se antes era um valor pouco reconhecido, hoje deve alargar o léxico das palavras a que é necessário dar valor redobrado. Honestidade. Trabalho. Competência. Previsibilidade. Isso!, valores a preservar! 
O imprevisível, a surpresa, gera a incerteza, a trapalhada... A previsibilidade gera a Confiança e o saber com o que se pode contar.
Vale a pena dizer que a imprevisibilidade também acontece quando se encontra quem menos se espera... o nosso encontro ali foi uma surpresa para mim, para a pessoa encontrada, encontrar-me a mim,  não o foi. Eu, passe a imodéstia, sou previsível!
O meu discurso de tomada de posse, foi, no cinzentismo da noite, um discurso com alguma cor e que recordarei mais pelo texto do que pelo desempenho e forma como foi dito. Recordarei, por isso, que quem está lesionado "não deve entrar no relvado". Entrei. Fica a memória de ter entrado, naquele estado...