21 abril, 2014

O 40º Aniversário do "dia inicial inteiro e limpo", o votar abaixo das nossas possíbilidades e os suspiros dos submissos - 1


Inicio a semana com o tema que trago, desde aquela madrugada, dentro de Minha Alma. Aquele "dia inicial inteiro e limpo" ocupará estas páginas, até à data. Começo com um texto de Pezarat Correia, uma reflexão necessária. Necessária sobretudo para os que, tendo votado abaixo das suas possibilidades, agarram-se, em desespero, a suspiros por intervenções desesperadas...

“Qualquer intervenção militar hoje na vida política portuguesa teria muito mais a ver com um 28 de Maio do que com um 25 de Abril”

“Alguns dos militares que fizeram o 28 de Maio também estavam cheios de boas intenções em que Portugal pudesse regenerar a sua democracia. Só que a regeneração da sua democracia deu no Estado Novo, que cá esteve 48 anos"

"Há é que recuperar o 25 de Abril, que é diferente”
 Pezarat Correia, a ler aqui


É um texto (também ele) inteiro e limpo, que termina assim:
“Não é só agora que a Constituição está a ser violada”, sublinhou, acrescentando que “a Constituição começou a ser violada muito cedo, praticamente logo a seguir, com o primeiro governo constitucional”.

12 comentários:

O Puma disse...

Quando o povo quiser

ou alguém por ele
a Constituição será limpa
no terreno que pisamos

Lídia Borges disse...


O dia de Sophia, "inicial, inteiro e limpo" ainda está por chegar. Naquela madrugada, Sophia não podia saber, nem ela nem nós que, apenas algumas décadas passadas, a inteireza inicial se quebraria em mil pedaços, que o significado de "democracia" se reduziria a um conjunto de sílabas de fingimento.

Lídia

Graça Sampaio disse...

O que é «votar abaixo das suas possibilidades»?!

Penso que não votamos acima nem abaixo - apenas votamos!! Mal é de quem não vota ou não sabe em quem votar porque esses têm a cabeça oca.E desses, infelizmente, há muitos!! Passarem (mal ou bem) apenas 40 anos - o que é muito pouco!

Maria João Brito de Sousa disse...

Subscrevo o comentário da Lídia! Nenhum de nós conseguiria imaginar esta farsa...


Abraço!

Post scriptum - Não consigo aceder ao documento final.

Ana Tapadas disse...

A memória necessária. Olhar lúcido.

Beijo

jrd disse...

Há que separar as águas: De um lado a Constituição e do outro o que dela têm feito.

ana disse...

Um bom início de comemorações:
Uma imagem contundente e bela que expressa a revolução chamada de "revolução dos cravos".
Sedentos necessitam de toda a água que lhes possamos dar.
Bem-haja!:))

Jaime Ramalhete Neves disse...

"Se nós, os trabalhadores, baixarmos os braços eles comem-nos vivos" disse a Rita, já lá vão dois anos, reproduzindo o que lhe dissera um trabalhador. E este tinha trabalho. Quantos não têm trabalho agora? Quantos vêem as pensões diminutas serem reduzidas a níveis que nunca imaginaram?
Se baixarmos os braços "eles" continuarão a tentar convencer-nos de que a culpa é sempre dos outros e que até são defensores do 25 de Abril.
Votamos abaixo das nossas possibilidades porque os resultados nas urnas não traduzem a situação real de milhões de portugueses. Nós. E as estatísticas publicadas também não.
O que significa a natalidade sempre decrescente, o que significa a fuga de jovens, o que significa o envelhecimento galopante da população?
Reinventemos o 25 de Abril diariamente

Joana Silva disse...

Quanto mais penso em democracia mais sou apologista da monarquia.
É que as pessoas não sabem votar e vão sempre parar à "merda". Vivemos num rotativismo! Ou PS ou PSD, as pessoas não sabem que existem outros partidos onde podem votar? Já não vimos que com estes dois partidos nunca vamos passar da cepa torta?
E defendo a monarquia porque? Porque se o rei não prestar corta-se a cabeça e mete-se lá outro! E não volta a ir para lá o mesmo!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Se a Constituição tivesse sido cumprida, talvez não tivessemos chegado aqui.
se a memória me não atraiçoa, foi esse poema da Sophia que eu escolhi ano passado para celebrar Abril.

Agostinho disse...

Uma democracia com muitas nódoas é o que nós temos. Até quando? Já lá vai o tempo da inocência, no entanto,
parece que os portugueses gostam de ser enganados.

Bruno disse...

Gostava apenas de me focar no comentário do General sobre uma possível intervenção das Forças Armadas - não faço parte delas nem nunca fiz.
Ao ler o texto fico com uma impressão de que os nossos oficiais das forças armadas são uma cambada de fascistas e os soldados são cães de fila...
Se eu fosse militar não ia apreciar nada essa descrição, mas é a minha opinião.
Também não se podem comparar as mentalidades e correntes filosóficas do tempo do 28 de Maio com as actuais e por isso a repetição de um acto teria de ter consequências/resultados diferentes quer por se basear em pilares ideológicos diferentes quer por o objecto-alvo do acto ser de natureza diferente.
Tudo isto porque os conceitos e mentalidades evoluiram, não era exequível actualmente um "estado novo" muito baseado na antiga eleição do Tirano. Pela simples razão de não termos um minimo de autonomia - sequer alimentar - que nos permitisse impôr e sustentar tal acto. Íamos ao fundo!
E sim, também acho que nos vão fazer a vida negra se conseguirmos renascer o espirito do 25 de Abril, mas pancada por pancada, ao menos seremos livres de escolher.