25 abril, 2014

O 40º Aniversário do "dia inicial inteiro e limpo", o votar abaixo das nossas possíbilidades e os suspiros dos submissos - 5

Hoje foi um dia cheio. Foi um correr. Eu, Minha Alma e Meu Contrário, nenhum se deu parado. Daqui para ali e de lá para cá, entre um e outro lugar. Dizíamos brincando, num interregno para rápidas compras: "Para ser Deu só me falta o poder da omnipresença". A senhora estendeu-me o saco do pão e sorriu, sem perguntar o que eu queria dizer (o autocolante, ao peito, era esclarecedor). E tudo começou pela manhã:

Primeiro, foi no Teatro Eunice Munõz, preso pelo que diziam 7 jovens. Uma jovem, mais velha, entrevistava e, enquanto duas mal tinham forças para erguer o micro, ouviamos e ovacionávamos o que aos outros ouvíamos. Embora nem tudo fosse digno de aplauso, aplaudíamos. Aplaudiamos até o embaraço de estar em palco. Ao lado, um púlpito descaracterizado de cravos de falseada cor, completava o cenário. Este, veio depois servir para muitos e diversos discursos. Uns a merecer aqueles cravos descorados, outros a merece-los mais vivos, vermelhos. Sampaio da Nóvoa, esteve sintonizado (ou mais que isso) discorrendo sobre o "dia inicial inteiro e limpo" com a veemência que fez com que Minha Alma me segredasse ao ouvido "lindo!" Depois foi um desenrolar de testemunhos de juventude caracterizando o Estado Novo. Quase me arrebatava, quando no final do discurso estragou tudo.
E foram mais, e outros. Até que alguém, sério, disse assim:
«Evocar o 25 de Abril é também evocar a alternativa.

Porque não toleramos viver prisioneiros no nosso próprio país, porque não toleramos que a soberania do povo continue a ser profanada, apelamos aos portugueses para que assumam o compromisso de tudo  fazerem para que Portugal se liberte das amarras que o prendem e assim possamos retomar a caminhada por um “Portugal soberano e desenvolvido» - Carlos Coutinho/ Deputado Municipal da CDU.
De tarde, não foi o banho de multidão que surpreendeu, mas a idade. Juventude que, por simpatia, me fez vencer o cansaço da longa espera, enquanto Minha Alma me ia colocando mais, e mais cravos, na lapela...
Começam a haver sinais de que se irá votar em equilíbrio com as nossas possibilidades...

Já de regresso, em Santo Amaro, paro. Saio e atravesso o jardim. De um e do outro lado, um cravo. Muitos cravos, perfilados. Em baixo uma folha de papel era apontada. Escritos, todos os direitos constitucionais. Um casal de idosos, aponta e parou para ler. Eu fui ver. Conferi o que há muito tinha percebido: "O povo unido, jamais será vencido!"

Foi um dia em que mal se ouviu qualquer suspiro submisso...