07 abril, 2010

Fruta fresca e Converseta marada, dois grandes mercados

Porque é que as grandes superficies vendem fruta fresquinha, bonita e calibrada e os quiosques só "converseta marada"? Respostas possíveis:
  1. Porque as grandes cadeias de distribuição dominam a cadeia alimentar de um grande mercado de consumidores àvidos de emoções fortes, de notícias golpistas e de sonhos cor-de-rosa (alternados com cor de laranja);

  2. Porque sim. Até nem toda a gente compra jornais...

Existem vários pontos em comum entre os produtos de grande consumo disponibilizados pelas grandes cadeias de distribuição e os media detidos, por igualmente grandes, grupos económicos. Um deles tem a ver com a qualidade dos produtos. É compreensível que, para as coisas funcionarem bem, terão de haver orientações sobre limites de conformidade aceitável para que as suas marcas, quer se trate de fruta ou de um artigo de primeira página, tenha correspondência com a “responsabilidade social” que os grupos queiram assumir, dentro de uma lógica que é sua e faz parte do seu sistema.
De certa forma as declarações produzidas ontem na Comissão Parlamentar de Ética, e em particular as “surpreendentes” de Emídio Rangel, andam à volta da qualidade do produto “informação”.
Sendo mais directo: Porque é que as grandes superfícies não vendem fruta tocada, bichada ou fora do calibre enquanto os jornais disponibilizam diariamente textos fedendo a podre e opiniões com argumentos em adiantado estado de decomposição?
Dir-me-ão: Se é verdade que 63% dos portugueses são tolerantes com a corrupção, desde que esta lhe traga benefícios. Então o produto jornalístico, sendo mau e manipulador, estará bem ajustado à dimensão ética do seu mercado.

Pobre de quem, como eu, faz parte de uma minoria…