08 janeiro, 2011

A fisiologia do cérebro e o voto em Cavaco Silva

Sempre achei que a consciência era algo que trazemos pequena, quase insignificante e localizada, conforme o portador, numa parte pouco perceptível do cérebro ou da alma. Nas minhas “rogériografias”(1) nunca consegui uma localização precisa. Apesar de pequena, há pessoas que julgam que a têm grande. Ninguém aceita que a tenha pequena e é impossível encontrar alguém que admita não a ter. Chamar alguém de inconsciente não me passa pela cabeça, por duas razões: A primeira é que a consciência existe de facto e a sua passagem ao estado de inconsciente só acontece ou quanto se dorme ou quando se entra em estado comatoso. Portando não se é inconsciente. Quanto muito pode-se estar inconsciente. A segunda é que dizer a alguém acordado que é inconsciente, para além de se estar a mentir, está-se também a fazer algo que pode desencadear reacções piores que aquelas que um homem perdido de bêbado tem quando lhe dizemos que tresanda a álcool...
A dimensão da consciência é apenas uma parte da questão e não é a parte importante. Importante é a natureza das informações que a constrói quando ele admite processar qualquer colecção de dados visuais e referenciados (mente aberta). Há casos em que a consciência se está nas tintas para isso (mente iluminada) e na consciência já não entra nada.
Os quadros (2) abaixo ilustram um teste. Confrontei uma cobaia com informação ignorada. Vejamos a evolução passo-a-passo desse alguém que estava no inicio disposto a votar em Cavaco Silva…

TESTE 1
Confrontado com o gráfico, a minha cobaia disse estar farto de saber. Mas depois perguntou o que era aquela linha sempre a crescer. Respondi-lhe que eram os empregos de serviços: as atendimentos, as publicidades e artes de "encher chouriços" mas também os dos hospitais e escolas. Serviço público? Interrogou e eu confirmei. E aquele vermelho a subir e a descer? Respondi que precisava de falar mais sobre ela. Acrescentei mais um dado: Cavaco foi Ministro das Finanças em 1980 e Primeiro Ministro entre 1985 e 1995... A cobaia olhou, olhou e soltou: Oh!
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TESTE 2
Aquela linha vermelha do quadro de cima que parece crescer para só depois ligeiramente descer, é o emprego do Sector Secundário. Resulta da soma de alhos com bugalhos. Isto é soma os empregos da construção civil com os "fatos de macaco". Veja-se o que começou a acontecer. Betão, betão, betão sempre a crescer e a produção sempre a descer. Graças ao gajo e aos seguintes que vieram a aparecer... A minha cobaia olhou o gráfico. Olhou, olhou, olhou e exclamou: Oh!
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TESTE 3
Mas não acabou. A divida pública que sofreu forte impulso com a importação de produtos da indutria aumenta também pela importação de produtos da terra. A minha cobaia olhou o gráfico como se procurasse uma alfaia e mais intensamente para descobrir uma semente e situar os anos de governação de Cavaco. Disse: "Ena, tanta terra inculta". Perguntei: "E de quem é a culpa?" Silêncio, caindo em si. SEI LÀ, O QUE ME DIZ FAZ SENTIDO E NÃO FAZ. VOTO NO CAVACO E ESTÁ O ASSUNTO ENCERRADO.
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Pronto, teste falhado. A minha cobaia é um cérebro iluminado (ou já bastante manipulado) e nem a leitura do Expresso de hoje serviu para o quer que fosse. Vai votar Cavaco!

(1) Série de posts sobre a fisiologia do cérebro
(2) Gráficos já publicados num
post sobre Qualificações, Desenvolvimento e Produtividade