22 outubro, 2012

Geração sentada, conversando na esplanada - 15 (lengalengando)

(Ler conversa anterior)
"Infelizmente, lutar por outro tipo de políticas e ficar no euro começa a ser uma possibilidade bastante remota. Já passámos o ponto em que o conjunto de políticas excepcionais dentro da zona euro – margem para um apoio mais selectivo aos sectores transaccionáveis, exportadores – possam, nesta fase, fazer alguma diferença. Essas políticas já não serão suficientes para inverter o curso dos acontecimentos." - Prof. João Ferreira do Amaral, em entrevista  
 "PCP e BE estão unidos quanto à necessidade de renegociar juros e prazos previamente acordados com os credores, mas insistindo na necessidade de pagar a dívida, cumprindo o estipulado. Além disso, ambos os partidos insistem na lógica do crescimento económico, em moldes capitalistas, como fundamental para a resolução dos nossos problemas económicos." - Grupo de reflexão e acção sobre a divida pública portuguesa
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Uma esplanada tão vazia como a mente... que se esvaiu, de repente...
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.A esplanada hoje está sem ninguém. Nem a geração que me distrai o olhar e o escutar. Nem o senhor engenheiro e o seu cão rafeiro. Nem o melro. Nem o pombo. As cadeiras permanecem alinhadas numa ambicionada espera. Minha mente também, jaz vazia, esperando alguém. Pouso o olhar no jornal à procura de um pensamento. A página ajuda ao me mostrar, em gráficos coloridos, a falta de cor do pensar dos inquiridos. Não me espanto... Ocorre-me uma lengalenga, um tumba-la-lão que sempre uso para empurrar um baloiço. Boa ocorrência. Nunca me tinha chegado tal imagem: meu povo ser representado por um miúdo crescido, empurrado por forças de ar paternal que o fazem sair do tumba para o la-lão, e do la-lão para o tumba, num único sentido de ir e regressar sem sair do lugar, apenas se alterando a amplitude do movimento. Voa agora o pensamento do tumba-la-lão para a cabeça do cão. Cão é de facto o melhor amigo do homem, e o pensamento dispersa-se ligeiro, lembrando-me do cão do senhor engenheiro. Que pena não estar aquele velho engenheiro, com seu ar respeitável e olhar profundo e só. Se estivesse, talvez lhe perguntasse pelas orelhas de gato que entram no tumba-la-lão, porque é que a lengalenga foi buscar um gato se já lá tinha o cão? Ou o porquê das meninas bonitas não terem coração... ou porquê desta lengalenga que nem adianta nem atrasa. 
Um dia o menino há-de querer sair do baloiço reconhecendo ser adulto... Então o tumba-la-lão será apenas a recordação de uma esplanada vazia...

(dedico este post à Manuela Baptista, a quem prometi lengalengar)