25 maio, 2010

A minha conversa com Mourinho...

Foi com este sorriso irónico, que Mourinho acedeu a que lhe pendurasse ao pescoço o slogan da campanha de incentivo à compra de produtos Nacionais, o que certamente vos terá passado despercebido, na ilustração à Carta Aberta que lhe dirigi.
Ontem, altas horas, Mourinho contactou-me. Tinha aquele tom de voz que emprega nas conferências de imprensa...
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Mourinho - Que ideia foi essa da carta? Podias ter-me prevenido... Agora em Madrid a imprensa vai fazer-me a vida negra...
Eu, Mouro - Vai bugiar com outro. Tu das-lhe a volta com uma pinta do caraças e eu tenho que aumentar as minhas audiências. Preciso de fazer passar as minhas mensagens...
Mourinho - À minha custa? Isso não é golpismo? Não te chega o material que diariamente tens disponível? Por exemplo acabo de ver o Prós e Contras, dar-te-á pano para mangas...
Eu, Mouro - Tu viste? Tu o maior, interessas-te pelo que cá se passa fora do mundo futebolístico? Nem acredito...
Mouirinho (com voz mais macia) - Não só acompanho, como sofro. Faço um esforço enorme para me conter... Mas ontem fiquei satisfeito... Vai ser dificil criar compromisso entre o Governo, os Patrões e os Sindicatos. Contudo será mais fácil chegarem a conclusões de consenso do que a Selecção Nacional passar a fase de grupos!
Eu, Mouro - O que é que destacarias do programa de ontem? Queres dizer?
Mourinho - Primeiro o reconhecimento de que os sindicatos devem ter uma palavra a dizer no rumo a dar à Economia. Não se pode discutir o Pacto para o Desemprego, sem criar compromisso com as políticas de desenvolvimento. Isso foi dito pelo gajo da UGT, repetido pelo Carvalho da Silva, valorizado pelo... como se chama o gajo da Concertação Económica e Social?
Eu, Mouro - Silva Peneda... Tenho destacado alguns dos desabafos dele...
Mourinho - A Ministra Helena André, também parece disposta a fazer qualquer coisa, pelo menos a ter uma atitude séria. Afirmou publicamente que na reunião de 4ª feira irá iniciar a reunião com os parceiros discutindo o diagnóstico da situação e só depois discutir o pacto para o emprego (aqui o Mourinho faz uma pausa prolongada, e retoma com a pergunta?) Rogério, conheces algum daqueles gajos?
Eu, Mouro - Conhecer, conhecer não conheço. Mas posso chegar à fala com um deles. Porquê?
Mourinho - Bom, sendo assim, vou-te mandar uns dados que ajudam ao diagnóstico. Sabendo que são da minha lavra, será mais fácil eles entenderem-se. Agora desculpa lá, mas são 3 da matina e estou com um sono do caraças...
Eu, Mouro - Só uma pergunta: Porquê o sorriso gozão quando te coloquei aquela merda ao pescoço?
Mourinho - O "Compre o que é nosso"? Deu-me vontade de rir... Como fazer campanha à compra de produtos nossos se a produção praticamente não existe e, por outro lado, não vai haver consumo interno que se veja. Xau, passa bem...
Eu, Mouro - Xau! Posso divulgar esta conversa?
Mourinho já não terá ouvido a pergunta. Corro o risco. Mais, amanhã vou publicar o diagnóstico com os dados que ele me prometeu enviar. Boa?
PS: Esta conversa só foi publicada, pela forte impressão de termos sido escutados

8 comentários:

folha seca disse...

Caro Rogério

você pelo que dá a perceber, é um "jovem" aposentado, sorte a sua, porque se fosse agora ainda que teria que "trabalhar" mais uns anitos. Adiante. O meu caro consegue ridicularizar o que é já por si ridiculo. De facto isto do "compre o que é nosso" é uma treta. Imaginemos: Comecemos pelo fiel amigo, o bacalhau claro: Já viu concerteza uma ou outra marca a ostentar essa etiqueta. Já lá vai o tempo em que o dito era pescado nas águas dos outros mas por barcos e pescadores nossos, agora, talvez: 0000,5%.
Outras: Vegetais, frutas e afins, ainda vamos tendo qualquer coisa, 30%? Carninha... ainda vamos ver o Mc donalds a ostentar o tal simbolo... idem...idem, aspas aspas.

Acho que o slogan a lançar seri mais do tipo: vamos produzir; cultivar; criar e produzir para podermos consumir o que é nosso!
Abraço

folha seca disse...

Pois, cliquei no publicar, sem rever o texto...acontece, mas acho que dá para entender.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Fonte bem informada confidenciou-me que ele se estava a rir, porque juntament com a medalha lhe ofereceram uma foto da Lili Caneças a fazer promoção à coisa. Sabe o que é que ele perguntou?
- Mas a Lili ainda tem alguma coisa que seja dela? Não sabia que já fazem silicones em Portugal.
Pois é, meu caro Rogério, está cada vez mais difícil comprar o que é nosso, pela simples razão de que quase tudo o que produzimos de jeito é para eportação. Até o vinhito!
Concordo em absoluto com o comentário do Folha Seca. Para comprar o que é nosso é preciso primeiro produzirmos.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Só mais uam coisa... hoje fiquei impressionado quando vi o Mourinho agarrado ao Materazzi a chorar como uma Madalena.

Anónimo disse...

Os comentários anteriores reforçam o que o Mourinho disse ao Rogério, quando afirma que o "Compre o que é nosso"lhe deu-me vontade de rir... Como fazer campanha à compra de produtos nossos se a produção praticamente não existe e, por outro lado, não vai haver consumo interno que se veja?

Espero o diagnóstico...

Anónimo disse...

Caro Rogério, Não tenho tido paciência para aturar a Fátima Campos Ferreira. Corta a palavra aos convidados que não gosta, tira conclusões precipitadas, contextualiza mal alguns aspectos fundamentais. Os convidados são sempre os mesmos. Mas ao que parece foi bom. Quem esteve?

Claro que esta conversa é fruto da sua imaginação, está bem de ver.

Beijo da Maiúka

Isa GT disse...

É uma verdadeira odisseia, procurar e comprar algo nacional, mas também vejo o pouco que há, não ser a opção de escolha.
Ora se os produtos nacionais são quase nada, ainda há quem ajude a enterrar o quase.
Abraço

Fê-blue bird disse...

Está em nós, mudar tudo!
Desde as nossas escolhas no supermercado às pessoas que nos governam!
O pior é que deixámos de acreditar no nosso poder de escolha!
Aprecio o inteligente sentido de humor com que faz estas "entrevistas", aliás o que seria a vida sem este bálsamo:)
Continue!
Abraço