26 maio, 2010

Os Homens não choram? (uns sim, outros não)

Quando era miúdo, diziam-me, com aquela convicção moralizadora de quem pretende a continuação da supremacia machista, que um homem não chora e eu, eu não chorava. Quedas em correrias, joelhos esfolados e eu, eu não chorava. Em bandos de funda em riste, fervia pedrada e se alguma me acertava eu, eu não chorava. Travessuras a merecerem açoites no rabo , minha mãe me sacudia e eu, eu não chorava. Tropelias e desatenções a merecerem reguadas, na mão o professor acertava e eu, eu não chorava.

Cresci e a dor física nunca me fez verter uma lágrima. Hoje dou por mim a engolir em seco, a ficar com a garganta embargada e lagrimazita no olho, por duas razões: por tudo e por nada. Comecei por detestar um boneco. Um dos bonecos mais jóia que a banda desenhada produziu. Depois comecei a compreender os calimeros…
Calimeros à parte, reconheço admirar os homem que choram (até para me poder auto-justificar).
Ficava enternecido com as lágrimas do Jorge Sampaio e registo o facto de não ter visto nunca nenhum primeiro-ministro verter uma lágrima, nem pelo país nem na emoção das fugas à responsabilidade, saídas do país, nem mesmo nas despedidas dos elementos das equipas governativas que “lideraram”.

Tenho registo de um outro homem que admirei, o Duarte Mangas. Cena marcante, quando este soluçante se abraçou a mim, a bordo do Santa Maria e no último dia da viagem de regresso da nossa comissão na guerra colonial em Angola. Dizia-me ele, lavado em lágrimas: “Não vou esquecer-te nunca. Foi bom conhecer-te. Sem ti eu nunca conheceria o José Gomes Ferreira, nem “A Memória das palavras ou o Gosto de Falar de Mim”. É esse abraço reconhecido que o vídeo abaixo documenta:
Aviso prévio: Porque este post está a ser escrito com os olhos rasos de água, não garanto que as imagens sejam exactamente as que eu queria escolher…

Outro aviso: até agora não recebi qualquer elemento do Mourinho relativo ao prometido diagnóstico sobre o estado da Nação. Temo que tenha de o fazer com a prata dacasa e alguns recursos imprevistos. É a vida, não vale a pena "calimerar" este inconveniente...