18 agosto, 2011

Quem me lê gosta de poemas fortes - (2)



Um rio...
Um rio é um rio, e parece estar tudo dito
Acrescentar que tem de ter
uma nascente e margens, para entre elas correr ,
parece pura perda de tempo,
coisa de quem não tem onde ocupar o pensamento
Não é verdade
Falava um poeta sobre o comportamento das águas
quando esmagadas pela pressão violenta das margens
Então falemos nós dos diques de palavras ponteagudas
escolhidas a dedo de entre as que metem medo
para suster o livre curso das águas
nada mais fazendo que retardar o destino
do rio, ainda fraco, ainda menino
Venham as primeiras chuvas que o façam crescer
e o poema, sabemo-lo todos nós,
percorrerá o sentido inevitável da foz
------------------------------------------------------------------Rogério Pereira

Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento.
Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem.
------------------------------------------------------------------Bertold Brecht
Imagem retirada daqui