04 novembro, 2013

Poesia (uma por dia) - 62

San Juan Cheli
São os teus olhos

São os teus olhos
(atentos à sombra dos meus)
que sempre me devolvem
as letras de escrever rio. As sílabas

abertas, como asas, ascendem
à música dos ninhos
que tu nunca desistes de inventar
no inverno dos meus braços.

Soletra mais devagar
o sorriso, o beijo,
deixa cair no meu colo
a claridade que trazes nas mãos.
Preciso dela, bem o sabes,

para escrever estrelas
e afastar da noite
a morte.
Soletra mais devagar
Eternidade.

Lídia Borges, in "Seara de Versos"