29 novembro, 2013

"The Postman", o filme que converti em metáfora (em Março de 2010)

(reposição de um post com mais de três anos, e com a preocupação centrada nos Estaleiros)


...um libelo contra a sanha privatizadora, inscrita desde o PEC

Estava meio deprimido. A semana não tinha corrido nada bem. Depois das minhas incursões pelas incapacidades educativas e de meia dúzia de propostas a que ninguém ligou, só fiz asneiras: Perdi-me no Chiado e escondi-me dos poetas que por lá estão; troquei as voltas àquela amiga que me oferece flores, cores, sorrisos e poemas (desejei-lhe feliz regresso quando ela ainda se preparava para partir); esqueci a quantas andava e perdi o dia de anos da minha mais recente seguidora; fui avinagrar amigos de infância, etc., etc., etc. Estava assim, zangado comigo mesmo e com o mundo, quando surge o toque salvador. Atendo:
Eu - Sim? (digo em voz mais seca do que me estava a alma)
Uma voz - Rogério? (ouvi, do outro lado, aquela voz bem conhecida que teve o condão de me animar a alma)
Eu - Olá, que bom ouvir-te (disse, quase a confessar-lhe o meu estado)
A tal voz - Rogério, lembras-te daquele meu filme onde eu desempenhava o papel de falso carteiro, perito em obras de Shakespeare, numa apocalíptica terra devastada e onde acabo por descobrir o poder de inspirar a esperança e fazer crer ao povo, perseguido pela tirania, que o Governo do meu país tinha sobrevivido à hecatombe?
Eu - Claro, é um dos meus épicos mais queridos! Aquele em que a juventude assume os correios, como símbolo do Estado e como bandeira da resistência e cidadania, mobiliza o povo contra os opressores. Belo filme, onde te vejo liderar uma heróica rebelião para repor a paz e a justiça
Voz – Esse mesmo. Quero que tu me escrevas umas notas, tipo sinopse, para uma nova versão. O título provisório é “The portuguese postman”, mas estou receptivo às tuas sugestões. Podes?
Eu – Yeessss! (exclamei, com uma alma nova em folha, sem os anteriores vestígios de ferrugem)
… e lá combinamos data e local para o bate-papo em torno do meu argumento.

NOTA (de hoje): Kevin Costner tem estado mais atento à nossa realidade que a maior parte dos blogues que estou a seguir. Nunca mais me ligou. Talvez ache que o tal argumento que eu  iria escrever se parecia demasiado com o filme que vos foi dado ver...
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