03 julho, 2014

Diário de um eleito (8)

Imagem editada pela EMACO

A segunda sessão (continuação) da Assembleia da União das Freguesias, depois de várias peripécias, foi marcada para ontem, para o Salão Nobre do Palácio do Marquês. Lá, enquanto ia admirando aquele tecto, os estuques de Grossie e o trabalho de pintura de autor não identificado, ia pensando em argumentos e como contrapor aos que fossem expostos, contrariando os nossos.
A mulher pintada, lá no alto, parecia olhar para mim e interrogar-me: "que fazes aí?" 
Não respondi! Nunca respondo a mulheres belas pintadas num tecto por pintores desconhecidos. Mas não deixava de a escutar. Ela me inspirava em cada intervenção e, no fim, a nossa proposta sobre a ocupação dos espaços de escrita no boletim da União das Freguesias, foi aprovada pela maioria dos presentes. 
Em casa, sob o word, com uso ao Times New Roman, corpo 11, escrevi o texto destinado ao Boletim com a preocupação de não ultrapassar os 800 caracteres. É pouco? É, mas dá para dissertar sobre a incoerência que, como sabemos, é um valor em desuso: as mesmas forças que aprovaram (noutra sessão) moção contra o fim das freguesias e a criação da União, desenvolvem agora esforços, com quem tal impôs, para lhe encontrar um brasão, uma bandeira e já votaram uma data de comemoração que institucionalize o desatino. Fica a faltar o hino.

Quando regressar  ao Salão Nobre do Palácio do Marquês lerei essa mingua de texto em voz alta, talvez a "mulher pintada" me compreenda e não volte a perguntar que faço eu ali e até me ofereça uma flor...