15 julho, 2014

Lula, Dilma, a "Copa do Mundo" e... o resto (6)



E ainda derrota do Brasil. Como quem faz balanço, retomo um, feito por quem de direito (Carlos Drummond de Andrade) que, embora escrito depois da derrota de outra copa, parece ter sido escrito para esta, de agora.
Apenas um extrato, na parte aplicável a qualquer derrota:
(...) Chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo (...) 
Carlos Drummond de Andrade, "Perder, ganhar, viver" - Julho de 1982