11 janeiro, 2019

Sobre como (realmente) vai o Mundo, ler tudo no "LADO OCULTO" - 19

A FARSA E O EMBUSTE NA POLÍTICA

Fazem parte do nosso dia-a-dia, multiplicam-se como cogumelos venenosos e muito difíceis de combater pois estão quase sempre do lado dos vencedores. Podem faltar salários dignos e respeito por direitos elementares, mas na política globalmente dominante não existe carência de farsas e embustes. A experiência de todos nós está repleta de exemplos, mas a actualidade e a oportunidade  seleccionaram alguns para este Nº19 de O Lado Oculto, já online.

Farsa e embuste estão por detrás dos preparativos para as cerca de 20 eleições que irão ocorrer, um pouco por toda a Europa e Américas, até ao final de 2020. A pretexto da pureza eleitoral e do combate às famosas interferências externas, duas correntes mais convergentes do que divergentes da ditadura económica neoliberal, na prática duas verdadeiras polícias eleitorais, preparam guerras cerradas contra as não menos célebres fake news, não hesitando estar agora "um passo à frente" dos supostos energúmenos replicando um genial ovo de Colombo: interferirem antes que haja interferências. Além do bando populista e neonazi capitaneado por Steve Bannon está igualmente em campo a Comissão Transatlântica para a Integridade Territorial, que se propõe recorrer à intervenção nas redes sociais, à inteligência artificial, dar apoio a governos e comissões eleitorais para extirpar as fake news e as ingerências externas - 80% russas calcula - para que nada obste "à democracia e ao mercado livre". Nomes altamente recomendáveis integram esta cruzada purificadora como Tony Blair, José María Aznar - dois intérpretes da histórica Cimeira das Lages, em 2003, que gerou uma sangrenta "interferência" militar - o ex-vice de Obama, o ex-secretário da segurança de George W. Bush e o inigualável John Negroponte, organizador de esquadrões da morte na América Latina e de falsificações eleitorais um pouco por todo o lado, cujos métodos se mostraram eficazes nas Honduras ainda há poucos dias. Com uma equipa assim, a transparência democrática fica perfeitamente salvaguardada.

Ainda no domínio da farsa - repleta de consequências trágicas - vamos ao encontro da situação no Ceará brasileiro, onde uma onda de violência entre grandes bandos criminosos explodiu praticamente a partir da posse do governo de Bolsonaro. Como há evidentes relações de causa e efeito, anote-se apenas que o drama fustiga há mais de uma semana exactamente o Estado onde, nas recentes eleições, o governador estadual do PT recolheu mais de 80% dos votos.

Não estranhemos que proezas deste e outros géneros prossigam na vigência de um governo formado por desqualificados, desclassificados e incompetentes, pois são essas as características que convêm a quem os conduz a partir de fora.

O que resultou no Brasil continua a ser tentado noutros países, por exemplo na Bolívia. Onde, contra a corrente do jogo, o movimento transformador está a conseguir dar a volta a manobras conduzidas a partir de Washington na esteira de nova candidatura do presidente Evo Morales, finalmente confirmada pelos órgãos constitucionais.
Farsa também pelo simples facto de a Comissão Europeia celebrar com júbilo o 20º aniversário do euro, moeda única que segundo Juncker, provavelmente animado com os festejos de novo ano, garante que contribuiu para "a unidade, a estabilidade" e, sobretudo, "para a soberania e prosperidade dos cidadãos europeus".

A propósito de embuste, múltiplos embustes, falamos do caso aterrador da chacina de crianças no Iémen, que não chega para alarmar as boas consciências do mainstream, bastante mais compungido, no entanto, com outro crime do mesmo autor: o assassínio de Jamal Khashoggi, colaborador do Washington Post. Embustes primários são também os pretextos invocados pelos Estados Unidos e a Austrália - "conter a China" - para ocuparem, de novo, a base de naval de Lomdrum, na Papua Nova Guiné.
De farsas e embustes se alimenta a informação quase unânime sobre a Coreia do Norte; onde a realidade, porém, é bem diferente desses conteúdos, como demonstramos nesta edição.

O maior e mais alicerçado dos embustes é, no entanto, a mistura abusiva de fé, religião, dinheiro e política que está na origem de comportamentos de nações e de instituições internacionais que dominam o mundo, manipulando criminosamente o espírito e a consciência dos seres humanos.

Perante estas e outras situações, O Lado Oculto vai prosseguir a sua missão de voz independente. Já não em formato de semanário mas em regime de actualização em contínuo, um salto qualitativo tornado possível com a solidariedade dos assinantes e um apreciável caudal de colaborações inseridas no espírito de uma publicação absolutamente livre. Em termos práticos, a partir de segunda-feira, dia 14, não será necessário aguardar por sexta-feira para o leitor ter novidades. Entrarão online logo que estejam disponíveis - não com preocupações de actualidade mas sim, e como sempre, de qualidade e de exposição do que é escondido, por norma, pela comunicação social dominante.

4 comentários:

ematejoca disse...

Nem a vitória do Benfica te faz esquecer a política?

Abraço de DÜSSELDORF, onde a política enjoa o menos prevenido:-*

Rogerio G. V. Pereira disse...

Soube por ti agora
que, em DÜSSELDORF, a política enjoa o menos prevenido
e julgo ser isso
o nosso maior perigo

é que a Alemanha
continua a ser a dona disto tudo...

Eu? Eu não enjoo
e sim
vi o jogo todo!


Maria João Brito de Sousa disse...

Iniciei ontem a leitura do "Lado Oculto", mas piorei muito durante a noite. Não posso garantir que a consiga concluir hoje.

Abraço, Rogério.

Larissa Santos disse...

A política (mundial) anda podre...

Bjos
Votos de um óptimo Sábado.