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Cada regime tem os seus nomes sagrados... Na ironia despejada na espuma dos dias, no desencanto de um orçamento que não dá à cultura nem sequer um por cento, esperar que a arte irrompa com pompa não é uma boa espera. Mas se não é o que merecemos é o que temos. E é grande:
SETE METROS
Uma obra
obrada pela Joana grande
só pode ser enorme
seja qual for a forma
que a obra obrada tome
(Só gostaria de saber
o que o personagem do Bordalo
dirá do galo)
Rogério Pereira
«...Todo o poder político tende a monumentalizar a sua ideologia, aquilo
em que realmente acredita. Assim, escolher uma artista que produz obras
de grande escala, feitas por grandes equipas coordenadas pela vontade
central de uma iluminada, é monumentalizar uma certa forma de gestão e
de empreendedorismo enquanto arte, e do artista enquanto gestor de
objectos ou eventos de grande escala. Não é muito diferente da
contratação de Souto Moura ou de Cabrita Reis para as barragens do
Douro. Nestes casos, a decisão final é privada, mas a mensagem é a
mesma: uma grande empresa faz-se representar por artistas-empresários.
Escolher Joana Vasconcelos é dar a entender que o Estado é também ele
uma grande empresa.
Depois, o modo como acabou por se escolher a artista, directamente e
sem consultar os interesses do mundo da arte, ignorando instituições e
comissários, por exemplo, também diz muito sobre este Governo.(...) E é claro que mesmo ao nível da forma, a obra de Vasconcelos é uma
monumentalização do empreendedorismo enquanto estética. Construir obras
de arte a partir de panelas não é muito distinto de vender conservas ou
aguardentes gourmet. Agarra-se num certo produto, que até já foi indício
de pobreza e torna-se aquilo num produto de luxo, exaltando a pobreza
como uma espécie de desígnio nacional, e muito obviamente
monumentalizando as políticas deste governo.»
in "A arte que merecemos" _______________
* Obrar = cagar, defecar


13 comentários:
Parece que a área da arte não mudou muito nas últimas décadas. Se não há procura, não haverá grande oferta. Os artistas de grande talento vão para o estrangeiro, será? Não sei se a arte tem um lugar de destaque nas escolas elementares e secundárias. Se não tem é aí que deveriam começar para que os jovens se interessem.
Catarina
Seu comentário, num ponto
estou de acordo
não estou de acordo noutro
Só se entendida como mercadoria a arte é sujeita às leis da oferta e da procura
E tem razão, tudo deve começar na escola, isto
porque "de pequenino se faz nascer o estilo"
A lei da oferta e da procura é uma metáfora.
Se a população não se interessa por arte porque não tem formação para a minimamente compreender e, consequentemente, gostar, os artistas não têm incentivo para criar e expôr os seus trabalhos no país.
Quanto a concursos, telenovelas, e bailaricos em diferentes locais de Portugal há-os com “fartura”... : ) É o que a população em geral gosta.
Catarina, tem razão
mas voltemos ao principio de tudo: a escola
o resto? O resto
virá por acréscimo
Concordo!
: )
Os interesses dos pais influenciam os gostos dos filhos.
O amor pelo teatro vem dos meus pais.
O amor pela leitura vem da biblioteca da casa dos meus pais.
Sobre a Joana Vasconcelos pouco posso dizer, daí o interesse de conhecer a sua obra em Serralves quando visitar a cidade invicta 🐦
Muito mal vai o regime, se isto for o melhor que ele tem para mostrar em termos de "arte" que o represente.
Em verdade, em verdade vos digo: por muito grande que seja, um zero é sempre um zero.
Não percebendo do assunto, mas pelo que li. Tanto o Rogério, como a Catarina, como a ematejoga têm a sua razão. Depende dos pontos de vista! É um caso de "debate" :))
Bjos
Votos de um óptima Terça - Feira.
E lá está o coração a rodar em Paris!
Abraço
A Arte em Grande, vê-se melhor. Agora, o que tem por dentro é que me custa a ver. Não gosto. Mas isso não interessa nada.
Lídia
Não consigo gostar... mas a verdade é que a senhora tem fama... abraço
Teresa,
Os interesses dos pais influenciam os gostos dos filhos?
Claro!
O amor pelo teatro vem dos meus pais.
Claro!
O amor pela leitura vem da biblioteca da casa dos meus pais.
Claro!
Tudo claro.
Falemos então agora
dos filhos dos homens que nunca foram meninos
Caríssimos
é que nem apetece fazer um esforço
para passar a gostar
é que o gostar também se aprende...
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