18 fevereiro, 2019

Joana de Vasconcelos, a obra obrada, "A Arte Que Merecemos" e a arte que esta Europa reconhece...

Tudo o que foi escrito antes (e que de seguida reproduzo) mantém actualidade. Apenas com esta nota prévia. Serralves será de Fevereiro a Junho a montra alta da obra obrada, em nome já não do regime mas desta Europa...
_____________________________

Cada regime tem os seus nomes sagrados... Na ironia despejada na espuma dos dias, no desencanto de um orçamento que não dá à cultura nem sequer um por cento, esperar que a arte irrompa com pompa não é uma boa espera. Mas se não é o que merecemos é o que temos. E é grande:

SETE METROS

Uma obra
obrada pela Joana grande
só pode ser enorme
seja qual for a forma
que a obra obrada tome
(Só gostaria de saber
o que o personagem do Bordalo
dirá do galo)
Rogério Pereira

«...Todo o poder político tende a monumentalizar a sua ideologia, aquilo em que realmente acredita. Assim, escolher uma artista que produz obras de grande escala, feitas por grandes equipas coordenadas pela vontade central de uma iluminada, é monumentalizar uma certa forma de gestão e de empreendedorismo enquanto arte, e do artista enquanto gestor de objectos ou eventos de grande escala. Não é muito diferente da contratação de Souto Moura ou de Cabrita Reis para as barragens do Douro. Nestes casos, a decisão final é privada, mas a mensagem é a mesma: uma grande empresa faz-se representar por artistas-empresários. Escolher Joana Vasconcelos é dar a entender que o Estado é também ele uma grande empresa.
Depois, o modo como acabou por se escolher a artista, directamente e sem consultar os interesses do mundo da arte, ignorando instituições e comissários, por exemplo, também diz muito sobre este Governo.(...) E é claro que mesmo ao nível da forma, a obra de Vasconcelos é uma monumentalização do empreendedorismo enquanto estética. Construir obras de arte a partir de panelas não é muito distinto de vender conservas ou aguardentes gourmet. Agarra-se num certo produto, que até já foi indício de pobreza e torna-se aquilo num produto de luxo, exaltando a pobreza como uma espécie de desígnio nacional, e muito obviamente monumentalizando as políticas deste governo.»
in "A arte que merecemos"
_______________
* Obrar = cagar, defecar

13 comentários:

Catarina disse...

Parece que a área da arte não mudou muito nas últimas décadas. Se não há procura, não haverá grande oferta. Os artistas de grande talento vão para o estrangeiro, será? Não sei se a arte tem um lugar de destaque nas escolas elementares e secundárias. Se não tem é aí que deveriam começar para que os jovens se interessem.

Rogerio G. V. Pereira disse...

Catarina
Seu comentário, num ponto
estou de acordo
não estou de acordo noutro

Só se entendida como mercadoria a arte é sujeita às leis da oferta e da procura

E tem razão, tudo deve começar na escola, isto
porque "de pequenino se faz nascer o estilo"

Catarina disse...

A lei da oferta e da procura é uma metáfora.
Se a população não se interessa por arte porque não tem formação para a minimamente compreender e, consequentemente, gostar, os artistas não têm incentivo para criar e expôr os seus trabalhos no país.
Quanto a concursos, telenovelas, e bailaricos em diferentes locais de Portugal há-os com “fartura”... : ) É o que a população em geral gosta.

Rogerio G. V. Pereira disse...

Catarina, tem razão
mas voltemos ao principio de tudo: a escola
o resto? O resto
virá por acréscimo

Catarina disse...

Concordo!
: )

ematejoca disse...

Os interesses dos pais influenciam os gostos dos filhos.
O amor pelo teatro vem dos meus pais.
O amor pela leitura vem da biblioteca da casa dos meus pais.

Sobre a Joana Vasconcelos pouco posso dizer, daí o interesse de conhecer a sua obra em Serralves quando visitar a cidade invicta 🐦

Fernando Ribeiro disse...

Muito mal vai o regime, se isto for o melhor que ele tem para mostrar em termos de "arte" que o represente.

Em verdade, em verdade vos digo: por muito grande que seja, um zero é sempre um zero.

Larissa Santos disse...

Não percebendo do assunto, mas pelo que li. Tanto o Rogério, como a Catarina, como a ematejoga têm a sua razão. Depende dos pontos de vista! É um caso de "debate" :))


Bjos
Votos de um óptima Terça - Feira.

Rosa dos Ventos disse...

E lá está o coração a rodar em Paris!

Abraço

Lídia Borges disse...


A Arte em Grande, vê-se melhor. Agora, o que tem por dentro é que me custa a ver. Não gosto. Mas isso não interessa nada.

Lídia

Sam Seaborn disse...

Não consigo gostar... mas a verdade é que a senhora tem fama... abraço

Rogerio G. V. Pereira disse...

Teresa,

Os interesses dos pais influenciam os gostos dos filhos?
Claro!
O amor pelo teatro vem dos meus pais.
Claro!
O amor pela leitura vem da biblioteca da casa dos meus pais.
Claro!

Tudo claro.
Falemos então agora
dos filhos dos homens que nunca foram meninos

Rogerio G. V. Pereira disse...

Caríssimos

é que nem apetece fazer um esforço
para passar a gostar

é que o gostar também se aprende...