Desta vez desenhámos versos, e foram tantos. Nesta liturgia não me coube a mim citar Sophia mas foram muitos o que o fizeram. Na impossibilidade de registar tudo, fica o que disseram de Sophia os nossos convidados
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| Manuel Diogo e Domingos Lobo, o autor do texto |
LEMBRAR SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
«A moral do poema não depende de nenhum código, de nenhuma lei, de nenhum programa que lhe seja exterior, mas, porque é uma realidade vivida, integra-se no tempo vivido. E o tempo em que vivemos é o tempo de uma profunda tomada de consciência. Depois de tantos séculos de pecado burguês a nossa época rejeita a herança do pecado organizado. Não aceitamos a fatalidade do mal. Como Antígona a poesia do nosso tempo diz: «Eu sou aquela que não aprendeu a ceder aos desastres». Há um desejo de rigor e de verdade que é intrínseco à íntima estrutura do poema e que não pode aceitar uma ordem falsa.Nem essa "ordem falsa", nem as injustiças foram aceites por Sophia. Católica, vinda de uma família da grande burguesia, rica e culta, Sophia não deixou de se solidarizar com os mais frágeis, de erguer a sua voz cívica e sem artifícios contra um tempo injusto, para nos dizer Que não somos apenas animais acossados na luta pela sobrevivência mas que somos, por direito natural, herdeiros da liberdade e da dignidade do ser.Uma poesia que tem esta força, esta determinante humanista, está viva, tem uma perenidade que a torna exigência singular da arte da palavra - e atrela-se ao futuro.»Extrato do trabalho de Domingos Lobosegue, texto integral















