11 novembro, 2011

Medo, medos...

Há tantos medos, quantas as suas mães e os seus enredos....
Questionaram-me sobre o medo, não sobre medos. Respondo não haver o medo singular, há medos. Medos vários, reconhecidos e identificados pela maternidade: existem os medos filhos da ignorância; os medos filhos da opressão; os medos filhos da ausência. Todas as mães dos medos, são filhas do pai dos medos: o Medo da Morte.
[O tema é extenso e pouco confortável para ser tratado perante quem passa com medo... de perder tempo. Só vos digo que cada medo pode ser combatido, neutralizado ou superado, com meios diferentes e adequados à tipologia da maternidade que lhes é reconhecida: Os medos filhos da mãe Ignorância, devem ser combatidos com o conhecimento (em certo sentido, são medos bons...); os medos filhos da mãe Opressão, devem ser combatidos por todas as armas disponíveis ao oprimido; os medos filhos da Ausência são superados por aquilo que existe de mais humano em nós, o afecto do mais próximo (que por vezes está - desumanamente - tão distante); os medos filhos da mãe Dor, tão físicos, tão próximos da cobardia ou do heroísmo...]
Falar do pai dos medos, o Medo da Morte?... só com recurso ao Poeta:
Medo da morte?
Acordarei de outra maneira,
Talvez corpo, talvez continuidade, talvez renovado,
Mas acordarei.
Se os átomos não dormem, por que hei-de ser eu só a dormir?
Alberto Caeiro