11 novembro, 2011

Medo, medos...

Há tantos medos, quantas as suas mães e os seus enredos....
Questionaram-me sobre o medo, não sobre medos. Respondo não haver o medo singular, há medos. Medos vários, reconhecidos e identificados pela maternidade: existem os medos filhos da ignorância; os medos filhos da opressão; os medos filhos da ausência. Todas as mães dos medos, são filhas do pai dos medos: o Medo da Morte.
[O tema é extenso e pouco confortável para ser tratado perante quem passa com medo... de perder tempo. Só vos digo que cada medo pode ser combatido, neutralizado ou superado, com meios diferentes e adequados à tipologia da maternidade que lhes é reconhecida: Os medos filhos da mãe Ignorância, devem ser combatidos com o conhecimento (em certo sentido, são medos bons...); os medos filhos da mãe Opressão, devem ser combatidos por todas as armas disponíveis ao oprimido; os medos filhos da Ausência são superados por aquilo que existe de mais humano em nós, o afecto do mais próximo (que por vezes está - desumanamente - tão distante); os medos filhos da mãe Dor, tão físicos, tão próximos da cobardia ou do heroísmo...]
Falar do pai dos medos, o Medo da Morte?... só com recurso ao Poeta:
Medo da morte?
Acordarei de outra maneira,
Talvez corpo, talvez continuidade, talvez renovado,
Mas acordarei.
Se os átomos não dormem, por que hei-de ser eu só a dormir?
Alberto Caeiro

18 comentários:

folha seca disse...

Caro Rogério
Apanhei-o mesmo na hora.
"Medo" palavra exacta. Sim acho que estamos tolhidos pelo medo ( eu estou e acho que muitas mais alminhas tanbém o estão) Mas o meu grande medo é o facto dos "fracos" não saberem usarem a força que efectivamente possuem para enfrentar os "novos" opressores.
Abraço

Rogério Pereira disse...

Caro Rodrigo,
para responder aos medos filhos da mãe Opressão, todos os meios são legítimos...

Celina Dutra disse...

Rogério querido,

Li seu artigo sem medo de ser feliz! É bonito, é bonito e é bonito! E verdadeiras as formas de combate propostas. "Os medos das filhas da mãe..." Sensacional! E com a riqueza de finalizar com Alberto Caeiro. Excelente fim de semana.
Girassóis nos seus dias. Beijos.

Maria João Brito de Sousa disse...

Empenho-me mais, de momento, no combate ao medo filho da mãe opressão.
Gostei muito deste artigo, amigo Clistenes!

Um abraço!

Ana Tapadas disse...

O medo sempre tolheu e imobilizou a cobardia...

Beijo

BRANCAMAR disse...

O tema "Medo" è sempre interessantíssimo. Concordo com tudo o que aqui se diz, mas não sei se o Pai dos Medos é o Medo da Morte, para mim será mais o medo do sofrimento físico.

Alberto Caeiro não morreu concerteza pela imortalidade das suas palavras e aí adivinhou, aí cabe o "talvez continuidade"... que refere nestes versos.

Acredito na continuidade, através dos vindouros, acredito que as minhas cinzas alimentem uma qualquer árvore, ou sejam partículas dispersas no vento, numa qualquer onda do mar...e isso me basta. De resto nada ficará para além da saudade dos que me são mais próximos, depois deles nada ficará de mim. Isso é assustador para alguns?

O importante é o aqui e o agora.

Algo que aprendemos quando já estivemos perto da morte, uma doença, um acidente em que poderíamos ter perdido a vida, muitas coisas nos podem fazer mudar conceitos de vida eternos.

Medo, penso que só o tenho do sofrimento, da doença com sofrimento físico intolerável, porque todos os outros medos se podem vencer.

Há muitos anos trabalhei num serviço que acompanhava doentes com problemas complicados ao estrangeiro, num tempo já longínquo para nós, embora pareça tão perto, na viragem de 1974 para todas as conquistas, em que não existiam ainda muitos meios técnicos em Portugal, em áreas em que agora somos dos melhores e vi situações de pessoas que tinham uma coragem e uma serenidade admiráveis, que de repente perante os factos perdiam todos os medos, queriam era lutar e vencer, a maior parte das vezes venciam e quando não o sonseguiam era sem medo. Espantoso para nós que estamos de fora, porque somos nós perante esse desconhecido que temos medo, os que estão na batalha entregam-se a ela de corpo e alma ou aceitam-no, não têm nada a perder.
O medo da morte é mais forte numa sociedade que exalta o belo, o saudável, o jovem e bonito, por isso os velhos deixaram de morrer em casa e a morte tornou-se uma coisa cada vez mais distante e assustadora.
Eu ainda vi morrer uma bisavó, com 90 anos, serena, com uma simples gripe, chamando todos para junto dela, ainda vi os meus avós fazerem mais ou menos o mesmo.

MEDO DA MORTE?

Não sei...

Se calhar tenho mais medo que apareça "um maluco" com uma bomba atómica ou com armas químicas e provoque muito sofrimento entre os vivos.

Beijos

Catarina disse...

Tenho medo de muita coisa. Mas não tenho medo de dizer o que penso, de chamar a atenção para uma injustiça ... mas até que ponto saio da minha “zona de conforto” ?
Admiro os que seguem sempre em frente e continuam a lutar por ideais que moldaram a sua forma de viver, a sua forma de estar.

Rogério Pereira disse...

Querida Branca,
Tem razão. A família é extensa, faltava-me referir o medo filho da mãe dor...

Luís Coelho disse...

Sim, tenho medo, muito medo...
Medo do sofrimento, da fome, da guerra e do desprezo dos outros que sempre viveram comigo.

Tenho medo de perder a Esperança que me ajuda a lutar pelo bem próprio e pelos bem colectivo.

Tenho medo de deixar de Acreditar em Deus e que a morte não é o fim.
Enquanto conseguir viver nessa Fé e acreditar todos os medos são ilusões vãs.

Filoxera disse...

O medo, que nos primórdios servia para nos preservar a existência, agora toma conta das mentes chamadas racionais para as tolher de agir. Quando nada está em risco a não ser pormenores, as pessoas bloqueiam, julgando que nada há a fazer.
O medo é a gaiola que o ser humano se impõe inconscientemente e o impede de avançar.
Um bom fim de semana, amigo Rogério.
Beijinhos.

jrd disse...

Como diria Shakespeare: "É do teu medo que tenho medo".

São disse...

Medo? Não sou medrosa.Muito menos cobarde.

Mas preocupada com muita coisa, lá isso estou.

Bom fim de semana

manuela baptista disse...

o medo dos medos, pode ser o da morte, sim

o da ausência de todas as coisas, o fascínio do nada

mas é o medo que nos faz sobreviver e no instante seguinte lutar

o maior dos medos é o de sofrer, de sentir dor

um abraço

manuela

Carlos Albuquerque disse...

Medo?
Medos?
Ela e eu habituámo-nos (já lá vão 50 anos) a caminhar por entre os desvios bruscos da vida, sem que que um e outros de nós se tivessem apossado, mesmo quando por mim passaram um despedimento,uma ameaça de prisão e, mais tarde, um saneamento...
Agora, outro desvio se nos depara, trazido por novos tiranetes. Será, terá que ser, e fá-lo-emos, um novo caminhar.
Não roubarão nem a Lua nem as estrelas das nossas noites e, muito menos, o Sol dos nossos dias.
Não!
Medo, medos, não!

carol disse...

Medo? Medos? Pavor! Receios... somos de uma geração que foi criada no medo. Medo às vezes até de respirar. Medo até de existir.

E agora, anos após termos terminado com tantos desses medos, até tenho medo de que volte tudo atrás...

Gisa disse...

Sempre tive medo de ter medos, mas eles nunca entenderam isso.
Um grande bj querido amigo

Fê-blue bird disse...

Meu amigo:
Para mim os maiores medos são o da ignorância e o da teimosia em continuar ignorante.

beijinhos

Fátima disse...

Oi Rogério,

Texto lido, muito bom.
E tema vasto, não me atento a questionar, por tantos medos já passei, inclusive os bons, no mais em minhas palavras são apenas poemas.

Beijo meu