24 outubro, 2012

Amor de Perdição: paixões intensas, emoções exacerbadas e, no fim, mortes às carradas...

Cinco contos de alunos do 4º ano, inspirados no "Amor de Perdição"? ... Meu Deus...

Certamente Camilo, e esta sua obra, não merecem título tão agressivo... e eu, que pouco sei do que escreveu, escrevo a partir de um resumo da obra (que é coisa se só lembra aos cábulas). Mas, me parece, que amores perseguidos, mortes, suicídios, misturados numa teia de relações num contexto passado é fardo demasiado pesado para quem ainda deve (devia) estar ocupado a entender (e a discernir, entre) o bem e o mal. Não estranho o ar convencido de quem mostra o resultado publicado. O que estranho é que cinco escolas tenham embarcado nessa pedagogia precoce de levar tão adulto autor a tão imberbes crianças...  E isso passou na televisão, frente às ventas do ministro da educação...

(o video é o mesmo, do postado ontem, e dá pano para mangas...)

6 comentários:

  1. Não vi o programa, não sei o contexto, mas no 4º ano a ler-se amor de perdição é obra... se é que foi isso que aconteceu.

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  2. reconfortante ouvir os jovens...

    abraço

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  3. De pequenino é que se torce o pepino!
    "Amor de Perdição" é uma boa leitura para os jovens do 4º Ano. Eu lia Corin Tellado e tudo o que me aparecesse pela frente!
    Até o Almanaque "Borda D'Água" do meu avô não escapava...
    Não se aflija, Rogério, não será por aí que os seus netos e os meus se irão "perder".
    Os contos por eles contados? Com o tempo serão aprimorados! Entretanto, os nossos jovens tomam contacto e gosto pela leitura e escrita. Há lá coisa mais bonita?
    Um beijo.

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  4. Rogério
    Nota-se que ficaste perdido com o "Amor de Perdição". Melhor, com a utilização de que ele foi alvo. Ou terá sido a obra em si? Se quiseres lê o "Amor de Salvação" ou os "Doze casamentos felizes". Sobre este último consta que inicialmente não eram 12, mas sim menos. Só que o editor terá achado que doze era a conta certa, quase número mágico, e obrigou Camilo a perfazer esse número.
    Quanto ao aproveitamento. Qualquer texto pode gerar outro texto. Este, de Camilo, pela amostra do "vídeo" gerou muitos, de acordo com a idade, com a leitura que foi feita (sempre dependente do contexto de quem o leu - a leitura é sempre uma escolha e uma construção de significados). Lá chegará o tempo em que eles conseguirão "ler" textos de Passos Coelho ou de Miguel Relvas. A bom entendedor...
    E um deles até gerou um texto tendo como referência um ministro presente, saltando de contexto em contexto.
    Quanto a Camilo Castelo Branco, ele era absolutista e adorei quando o Vasco da Graça Moura disse que ele era reacionário.
    Fenómeno interessante é o facto de Camilo Castelo Branco ser de Lisboa e escrever sobre o Norte e Eça de Queirós ser do Norte e escrever sobre Lisboa, embora esta divisão peque por imprecisão.
    Uma coisa é certa: perante o desconchavo curricular (e não vou entrar em análises) eles conseguiram fazer alguma coisa.
    Um abraço,Rogério.
    Jaime

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  5. É conhecido que o Camilo nunca foi um "liberal" (daquele tempo).
    O problema é que VGM que é um liberal deste tempo e não tem moral para qualificar aquele escritor.

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  6. Li o "Amor de Perdição" no ensino secundário. Quanto à vida política deste país, considero que é um monstro verde onde apenas se vêem lucros e não pessoas! Continuamos a atirar pedras uns aos outros e não passamos disso! Depois vêm uns quantos para a televisão que dizem baboseiras que todos já sabem, mas ao que parece ninguém sabe e assim surgem os iluminados do arco da velha!

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