02 maio, 2011

Geni? Quem é Geni? E o Zepelim?

Não desisto de fábulas, nem de parábolas e ainda menos de metáforas. Sobretudo se são belas. Mexem com a imaginação e com a inteligência (de quem as tem, uma ou outra, se não ambas). Prefiro metáforas. As metáforas evitam o lugar comum e a repetição de coisas já ditas (e reditas), projectam-nas para além do sentido que o autor lhe quis dar. Apenas arrastam um senão, pois "Resta saber se as metáforas são entendidas em toda a sua amplitude." como já me veio dizer uma voz amiga, em comentário anterior. Não faz mal. Que importância tem se a Geni é a prostituta, se a classe média é sem valores e oportunista e se o Zepelim é um poder estrangeiro e destruidor, que pode ser saciado por quem cede para salvar a cidade de tanta crueldade, para depois voltar a ser marginalizada regressando à entrega, à pequena volúpia e a ser objecto de pecado de um povo maltratado? Ouvindo Geni e o Zepelim, fixado nas palavras, ouso entender que Gení, possa ser a esquerda, marginal e marginalizada, e o Zepelim seja a nova versão do vampiro mandado chamar (o FMI, o BCE e a CE?). Ouso imaginar que Chico Buarque me deu aviso para que Geni não se entregue, pois ninguém lhe vai agradecer esse gesto mártir. Eu sei, e também sei que não há Zepelim que fique saciado...