22 maio, 2015

Redacções do Rogérito 24 - "O meu exame serviu para o professor ser avaliado e o senhor director ficar enrascado"

Tema da redacção: Os Exames

Eu gosto muitos de exames e de ser examinado pois é uma oportunidade de eu demonstrar que sou melhor que os outros e dos outros demonstrarem que são melhores que eu porque dos piores de todos não rezará a história até porque quando abandonarem a escola ficam sem pena de sair porque a aprendizagem era coisa para que não tinham vocação e assim o abandono escolar fica mais que explicado sem que ninguém se sinta culpado a menos que seja um menino endinheirado mas esse não sai para o privado.
O exame é também uma forma de os meus professores não ficarem a armar-se em doutores e de serem também eles avaliados e de os directores ficarem enrascados se não forem bons os resultados e descobri que isso era assim pois deram suspiros de alívio quando fui entregar a prova cedo e eles a olharam com medo mas depois foram-na lendo e o sorriso foi-se abrindo e até me disseram que eu era um lindo menino.
A pressão sobre a escola só dá para perceber hoje pois agora não basta chegar à quarta classe e saber ler escrever e contar como nos tempos do senhor Salazar que também era professor e os exames eram uma boa forma de provar que os meninos sabiam ler escrever e contar e que os professores sabiam ensinar pois até era raro algum menino ficar reprovado mesmo se tivesse muitos erros no ditado se lesse bem e tivesse metade das contas certas também.
Eu até ando cá com umas ideias de que se a escola voltar aos tempos do senhor professor Salazar que se forem bem organizados os exames todos andarão felizes como dantes.


10 comentários:

Joana C. Silva disse...

Eu não sei se não abdicava da liberdade de expressão só para que as coisas voltem à organização de antigamente, bem que a minha avó tem razões para invocar o fim do descanso interno de Salazar e chama-lo para governar!

AC disse...

Até agora fizeram-se os exames do 4.º e 6.º anos, e muita gente diz que foram consideravelmente mais fáceis do que nos anos anteriores. Será que foram "albardados" por ser ano de eleições?

Rogerio G. V. Pereira disse...

Joana,

Espero que seu comentário não passe de uma amarga ironia.

Graça Sampaio disse...

Olha, Rogerito, com estes exames ficámos todos a saber (eu já sabia desde o tempo em que li o seu livro em 2006) que o ministro (C)rato aprecia bastante o estilo do senhor professor Salazar.....

(A Joaninha é jovem de mais para saber entender a diferença - que é abissal!!!)

Rogerio G. V. Pereira disse...

AC,

Certamente.
Mas a minha preocupação é diferente. Com a introdução do exame, adeus ao ambiente colaborativo. Adeus à entreajuda e ao clima de "se queres ser bom todos em teu redor terão de melhorar contigo a ajudar". Adeus à ambição da aprender e ao conhecimento, porque vais ter de competir e... porque não há tempo!

Janita disse...

Exames sempre houve, aos alunos, não aos professores.
Com o avanço tecnológico a reciclagem é precisa! Os Profes também necessitam actualizar as novas formas de ensinar, mas sem palmatória, agora isso não se usa mas há outros abusos.
O menino Rogérito, não está bem informado, agora é que todos os meninos têm de passar, mesmo a dar erros no ditado, só para provar que o ensino anda muito adiantado e o índice escolar é elevado!!

:)

Rogerio G. V. Pereira disse...

Janita,

Não, nem sempre houve exames... E nem em todos os países ainda hoje a prática não é generalizada.

«Consultando dados europeus (Eurydice, 2009) sobre os exames nos sistemas educativos dos nossos concidadãos europeus, verificamos que os exames podem ser obrigatórios, facultativos ou indicativos para efeitos de orientação do sistema. As situações são muitíssimos diferentes de país para país. Entre nós, alguém deu por algum debate público sobre o tema?

(...) Cinco países – Irlanda, França, Hungria, Suécia e Reino Unido – introduziram já há bastante tempo exames nacionais sem incidência nos percursos escolares individuais dos alunos e, na sua maioria, por amostragem.»

Artigo publicado no "Observatório das Ciências de Educação e Formação"

Lídia Borges disse...


Interessante discussão!

Se tenho opinião? Tenho. E sei bem a diferença entre o estar na escola para crescer e fazer crescer, privilegiando o desenvolvimento integral e equilibrado da criança, do jovem e o estar na escola para treinar, até saber aplicar conteúdos e conceitos, recorrendo à memória e à repetição, sem a participação activa do aluno na construção do conhecimento. Este método gera uma aprendizagem "fácil", uma aprendizagem (de encomenda) mal estruturada que limita o "ver" e o "pensar".
A escola tradicional azedou, passou à história, está longe das exigências das sociedades de hoje e mais longe dos ideais de uma Escola inclusiva, uma Escola para todos. Os defensores do mito do passado, sabem bem o que fazem, o que querem...
Não se pode fazer da Educação um acordeão de romaria que se abre e se fecha ao sabor das ideologias e dos interesses dos "pensadores" de meia tigela sedentos de eternidade. É um crime!

Bj.

Fê blue bird disse...

Resumindo, tenho muita pena da nova geração que se está a criar e a "ensinar".
Um beijinho e boa semana Rogérito.

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Nem sei que dizer Rogério.
Eu nunca gostei de exames mas tive de os fazer. Não gosto destes nem do ministro mas eles não se importam com isso e nem se prestam a mudar para um ensino melhor...Até o acordo é o que se vê...Dei em pensar que outros por fora é que mandam e depois o ministro exige, classifica e escolhe quem vai seguir em frente...