27 janeiro, 2016

O que dizia uma cadeira vazia àquela outra sua vizinha


Povo Ausente
Foi convidado para falar
a todos os entes
que não se esperavam presentes

Enquanto falava, dizia uma cadeira vazia
a uma outra sua vizinha
"Fala muito bem, é divertido
e é muito melhor assim
vê-lo e ouvi-lo ao vivo"

Foi tal o sucesso da iniciativa
que mil vezes veio a ser repetida

No dia aprazado
a imprensa exultava
e publicava
em primeira página
a imagem de um presidente
de um Povo ausente
Rogério Pereira

12 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Gostei.
O povo português ausenta-se de tudo. Do que não tem e até do que está na sua mão.
Abraço

Anónimo disse...

Tão ausente, aplaudindo frente ao ecrã da televisão...
Abraço!

Mª João

Lídia Borges disse...

E as cadeiras ficaram porque têm quatro pernas/patas como os cães que não votam nem têm vontade própria.

Bj

Observador disse...

O povo português preocupa-se pouco.
Por vezes, muitas vezes, é como se estivesse a vegetar.

Mar Arável disse...

O povo esteve lá
sentado nas urnas
a olhar para o lado

Fê blue bird disse...

Fazer de uma coisa má um belo poema, já valeu a pena!

Um beijinho

Rogerio G. V. Pereira disse...

Perdura na nossa gente
aquela depressão que a anima
e rejeita que lha tirem de cima

Há masoquismo
nisso

Rogerio G. V. Pereira disse...

Para um assim eleito
é um aplauso perfeito

dentro do horário nobre
deu tempo ao tempo

Rogerio G. V. Pereira disse...

Lídia
que bem que rima
a sua com a minha
ironia

Rogerio G. V. Pereira disse...

Eu não diria tal

Escreveu um tal Tadeu

«Marcelo, para ganhar, do que precisou? Em primeiro lugar, de 15 anos de horário nobre na TV a opinar sem contraditório. Em segundo lugar, de falar ao coração das pessoas. É aqui que a esquerda pode clamar vitória: acabou o discurso do "vivemos acima das possibilidades", voltou a exigência de coesão social, a política já não fala da "realidade" impor cortes indiscriminados, até a Europa é, agora, criticável.

A conversão de Marcelo à justiça social só dominou a sua proposta política e o seu discurso de vitória porque a esquerda, depois de décadas, está a voltar a conquistar terreno perdido na batalha ideológica. E a direita de Passos e Portas não escondeu, durante a campanha, o medo que isso lhe dá.

Marcelo venceu com votos da esquerda porque falou com ideias da esquerda. Por isso mesmo PS, Bloco e PCP ainda têm muito que andar antes de o terreno ser suficiente para caminharem separados.»

Rogerio G. V. Pereira disse...

"E as cadeiras ficaram porque têm quatro pernas/patas como os cães que não votam nem têm vontade própria."

disse a Lídia

Rogerio G. V. Pereira disse...

Sempre gentil
este meu pássaro azul