03 março, 2018

Que luz vem do farol? Que nos dizem os faroleiros?


O titulo deste post está amarrado a outro publicado em acontecidas vésperas que conduziriam, em junho de 2011, à eleição de Passos. Lá se dizia o que lá se encontra escrito. 
A luz projetada do farol era de aviso. E o que era avisado, aconteceu.
O que nos diziam os faroleiros, então, mantém hoje toda a atualidade, pois a barca em que nos encontramos todos corre o risco de voltar ao rumo antigo...

Uma metáfora é coisa nem sempre inteligível e fechada? Lá ser, é, mas não dá lá grande trabalho deslinda-la. 
Vá lá, não custa nada! E para lhe aguçar a curiosidade, ficam algumas das  palavras de aviso:
«Os recentes desenvolvimentos após o Congresso do PSD em que este partido procura recuperar a política de agravamento da exploração, empobrecimento e desastre nacional que executou, acentuam expressões de consensualidade e regista-se a assumida articulação entre PS e PSD em torno das “ reformas estruturais” – essa enganosa designação com que se envolvem as medidas de agravamento da exploração do trabalho, de retrocesso económico e de injustiça social. Nós sabemos do que falam, quando falam em “reformas estruturais”. As suas “reformas estruturais” são as do receituário monetarista e neoliberal, confeccionadas nos laboratórios do grande capital e que os governos do PS, PSD e CDS tomaram como núcleo dos seus programas de governo nos últimos anos, aqui e na União Europeia.
Não foram tão longe como pretendiam e queriam, porque a luta contou na contenção dos seus propósitos, mas levaram longe a sua acção destruidora sob o tal chapéu reformador.
Essas “reformas” que se traduziram num criminoso programa de privatizações, incluindo de serviços públicos essenciais, de desregulação económica e de liberalização financeira, abrindo caminho ao “capitalismo de casino” que deu no que deu no BES, no BPN, no BPP, no BANIF, de desprotecção social, incluindo no desemprego, na subversão da Segurança Social que tentaram, mas não conseguiram, de desmantelamento das funções sociais do Estado, de aplicação da chamada flexibilização laboral, para sacrificar salários e direitos fundamentais dos trabalhadores e o esvaziamento da contratação colectiva, bem como a utilização de sistemas fiscais para favorecer o capital e penalizar o trabalho, entre outros.
Um caminho que pretendem não só consolidar, mas relançar afivelando a máscara das “reformas estruturais” e à sombra de uma suposta inócua descentralização (mas de facto, uma transferência de encargos e desresponsabilização do Estado) e uma consensualizada política de investimentos e aplicação de fundos comunitários, vendidos como a coisa mais natural, tão natural como o ar que respiramos.
Um primeiro passo, no caminho dos consensos e de restauração de um bloco central informal para voos mais largos, em que muitos aspiram a que a Segurança Social torne a marcar lugar.»
 
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