16 março, 2018

Vitor Bento, eu, Jesus Cristo e o mais que adiante poderá ver escrito

"O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…"
Fernando Pessoa
Há coisas que não enjeito e uma delas é comparar-me com os maiores. Tal como refere o poeta, Cristo nada sabia de finanças, eu também nada sei, e não constando que ele tivesse biblioteca, não posso afirmar que eu a tenha... mas cá vou fazendo as leituras possíveis... e quando entendo, reajo.

Reagindo ao hoje escrito pelo Bento, percebo que ele, douto em finanças e certamente possuidor de imensos livros, regressa agora à tristemente célebre estirada do viver-se acima das nossas possibilidades considerando, escreve ele, "a endémica e secular tendência na nossa sociedade para gastar mais do que produz, sobreendividando-se e descurando a criação de riqueza, reproduzindo ciclos de crescimento com dívida, crise e resgate, que desembocam em dependência externa e/ou regimes autoritários." e o extenso artigo termina com esta frase lapidar, como se inventasse a roda, "querer assentar o crescimento na procura interna é como acumular lenha à volta da casa."

Respondo, conforme posso:
Sobre o endividamento, recorro mais uma vez a Marx -"Os donos do capital incentivarão a classe trabalhadora a adquirir, cada vez mais, bens caros, casas e tecnologia, impulsionando-a cada vez mais ao caro endividamento, até que sua dívida se torne insuportável."

Sobre o crescimento, recorro a leituras, que nunca dispenso - "A inversão do actual rumo é justa e é possível. Mas colide com as imposições da União Europeia para quem Portugal está condenado a ser destino dos excedentes das grandes potências, e confronta-se também com os interesses do grande capital. Veja-se o papel dos grupos monopolistas da grande distribuição no esmagamento dos preços à produção ou na importação de mercadorias estrangeiras, o papel da banca privada na falta de financiamento às PME, o papel que o domínio monopolista sobre a energia, as comunicações ou os transportes teve no estrangulamento das potencialidades produtivas do País.
A defesa da produção nacional é uma questão estratégica para o presente e para o futuro. A valorização da da indústria, da agricultura e das pescas reclama uma política substancialmente diferente. Garantir a soberania alimentar, a soberania energética, a produção de bens e equipamentos de elevado valor acrescentado que diminuam as importações de mercadorias e potenciem e diversifiquem as nossas exportações requer uma outra política e um governo capaz de a concretizar. A batalha pela produção nacional, aí está, para ser travada pelos trabalhadores e pelo povo português.

11 comentários:

Maria João Brito de Sousa disse...

Respondeste como pudeste... e respondeste muitíssimo bem.

Quanto ao senhor que tão hábil e convenientemente - para quem sabemos... - "repesca" a velha teoria de andarmos todos a viver acima das nossas possibilidades, num único ponto o não contrario; não escreve segundo o AO 90.

Abraço!

Anónimo disse...

E se eu lhe dissesse que todos têm razão mas que nenhum tem razão porque para entender o ponto a que chegámos, primeiro é preciso desaprender tudo, para começar a perceber qualquer coisa.
Temos meia dúzia de famílias a nível global que já possuem 75% da riqueza real do Planeta quando toda a restante população tem apenas aquilo que em inglês se chamam "notes" sejam de dólar ou euros e que são, apenas, "notas" de Dívida e se não concorda com Bento, pode crer que quem possui os 75% e imprime papel pintado, sem qualquer valor real, que têm vindo a trocar por tudo o que tem valor real (a água está na Agenda) ficam muito satisfeitos em ver gente dividida (a velha receita de dividir para conquistar).
Aumentar as Dívidas é o que vai rematar a eterna escravatura e, a mentira que estamos a pagar essa Dívida só falando nos juros mas, escondendo que a Dívida continua a crescer foi mais um truque porque até o Presidente falou todo contente que agora até nos pagam para nos emprestar dinheiro, apenas a percepção dos juros e nada mais (não custa nada emprestar o que não custa nada e fazer descontos negativos nos juros, até ao dia em que pára o desconto e fica a Dívida com os juros que eles querem: Impagáveis.
Eu podia ficar horas ou dias a tentar explicar cada buraco onde nos fizeram cair mas, há que começar no básico:
1913 a criação do FED nos EUA, um cartel privado passou a ter o negócio de criação do dinheiro e a emprestar a um país, sugando os juros aos contribuintes.
O melhor negócio do Mundo, não é preciso semear, transplantar ou ver crescer, basta imprimir papel ou teclar números e, claro, acabar com o padrão ouro para criar dinheiro baseado em nada até à quantia de infinito. O negócio correu tão bem que repetiram a receita na Europa porque o Banco Europeu é PRIVADO e, fez dos nossos Bancos Centrais sucursais porque só há uma maneira de controlar as leis que eles querem impor e ficar com tudo o que tem valor Real e isso, faz-se escravizando os países a Dívidas e tomem lá 241.122.388.394 euros que uns 10.374.000 de portugueses terão de pagar ou pensa que vão ser os políticos a pagar?
Alguns pensam que como não têm nada, não lhes podem tirar nada... a ignorância e o estupidificar sempre fez parte da Agenda porque quando não houver serviço nacional de saúde, nem Pensões (a nível global estão a ser "jogadas" na Bolsa") quando tiverem de esmolar para poder comprar um copo de água e, sem se poderem queixar porque tudo será controlado com a Inteligência Artificial, até vai parecer ficção mas se recuarmos uns anos, muito do que se passa agora parecia ficção como, por exemplo, votarmos para Deputados Europeus que Não podem Propor nem Vetar Leis portanto, se há quem ainda não reparou, as Leis Fundamentais já estão a ser impostas por Não Eleitos que estão a acelerar o processo para um total controlo virtual.
(continua)
isa

Anónimo disse...

(cont.)
Não lhe posso explicar todo o processo psicológico mas posso dar uma metáfora:
Compre um tubo bem grande de guache, podemos escolher a cor que nos agrade: vermelho e, pouco a pouco, tal como eles fizeram, vá acrescentando pitadas de amarelo, mais pequenas que o tamanho da cabeça de um alfinete e muitos repararam que a cor estava a ficar diferente mas, tão gradual, a maioria continuou a fazer o mesmo e a vender as mesmas utopias de sempre, até ao dia em que, finalmente, todos vão "acordar" com tudo laranja mas, como de costume, tarde demais e ainda a pensar haver salvação e até vão tentar juntar azul, para descobrir que ficaram com um castanho eterno, cor da m**** onde eles e as futuras gerações ficarão enterrados para toda a eternidade, sem nunca terem percebido como chegaram lá, nem o verdadeiro conceito de Liberdade (apenas passaram de um aquário pequeno para outro, mais apropriado a um jardim zoológico global).

Para além da minoria não ser estúpida, pagam bem à criadagem, exploram as suas fraquezas individuais e, mesmo que algum tente resistir cheio de boas intenções e até avise do perigo das Dívidas, basta ouvir muitos como o Rogério e passa a ir tratar da vida dele porque não é Jesus Cristo e a propósito de Marx, o Cartel também o subsidiou mas, ir estudar História real sem ser a pré-fabricada ou pré-digerida, é cansativo, chato, aborrecido e basta emprenhar pelos ouvidos e dizer que se tem a certeza de tudo que se julga saber.
Quanto a Partidos, o nome diz tudo: partidos desde a nascença nunca ficarão inteiros e, bem no topo porque há sempre um topo, bem afastado das bases, é onde se dão todos muito bem.
Neste momento, está mais que na altura de cada um exercitar o seu próprio cérebro porque, isto, tem sido como ter estado décadas sem o usar e, se tivéssemos a fazer o mesmo às pernas ou aos braços, já não os conseguíamos mexer. Sei quanto custa porque ando a tentar há muito tempo e ainda "dói" e estamos sempre em risco de entrar em Dissonância Cognitiva.
isa

Quanto à Divida, já não está no número que lhe deixei anteriormente porque, cresce ao segundo mas, basta ver para crer:
https://www.nationaldebtclocks.org/debtclock/portugal

Quando a própria Alemanha que era um dos países mais ricos, gasta 50.000 euros por "refugiado", mas tem cidadãos reformados que já recolhem garrafas vazias na rua e vão a centros para poder ter comida. Acaso?
Continuar a ver o "caseiro" sem tentar perceber o que fazem os que controlam a nível global... então, já perdemos esta guerra que muitos nem sabem existir.
Mas a culpa mais na moda, dos EUA até à Inglaterra:
Deve ser tudo culpa dos Russos lol

Anónimo disse...

Naqueles dias em que o parlamento europeu está quase vazio (sem os respectivos enfeites), há sempre quem vá preparando a entrada "da próxima pitada de amarelo" mas, quem tem tempo para tanta "minudência"?
Entre tanta "animação" para as massas (nem sequer temos Óscares mas que tal uma imitação?) e, sem nunca faltar futebol (noutros tempos o ópio do povo, agora como químico injectado directamente nas veias), ainda ter que arranjar tempo para ouvir um sujeito numa língua que nem sequer percebe dizer:
"Só deviam ser subsidiados, os Partidos que forem Pró-União Europeia"
A mim, faz acender todas as luzes de alarme mas, a maioria, continuará a "dormir" para mais umas belas rodadas de amarelo.
isa

Anónimo disse...

Escrevi tanto e depois fiquei a pensar... ultimamente tornou-se um vício mas, fiquei a pensar que alguém poderá ficar a questionar porque me ralarei com subsídios a Partidos se nem sequer acredito em Partidos mas, apenas em pessoas.
Não há nada que eu possa dizer que já não tenha sido dito e, muito melhor:

Als die Nazis die Kommunisten holten,
habe ich geschwiegen;
ich war ja kein Kommunist.
Als sie die Sozialdemokraten einsperrten,
habe ich geschwiegen;
ich war ja kein Sozialdemokrat.
Als sie die Gewerkschafter holten,
habe ich nicht protestiert;
ich war ja kein Gewerkschafter.
Als sie die Juden holten,
habe ich geschwiegen;
ich war ja kein Jude.
Als sie mich holten,
gab es keinen mehr, der protestierte.

Martin Niemöller - Pastor Luterano alemão

tradução:
Quando os nazis vieram buscar os comunistas,
eu fiquei em silêncio;
eu não era comunista.

Quando eles prenderam os sociais-democratas,
eu fiquei em silêncio;
eu não era um social-democrata.

Quando eles vieram buscar os sindicalistas,
eu não disse nada;
eu não era um sindicalista.

Quando eles buscaram os judeus,
eu fiquei em silêncio;
eu não era um judeu.

Quando eles me vieram buscar,
já não havia ninguém que pudesse protestar."

E ele até disse mais:
"Levou um bom tempo para eu aprender que Deus não é inimigo de meus inimigos. Ele nem sequer é inimigo de Seus inimigos."

isa

Rogerio G. V. Pereira disse...

Isa,

Li tudo, tudinho
e o Vitor Bento
gostaria de também o ter lido

"e, mesmo que algum tente resistir cheio de boas intenções e até avise do perigo das Dívidas, basta ouvir muitos como o Rogério e passa a ir tratar da vida dele porque não é Jesus Cristo e a propósito de Marx, o Cartel também o subsidiou mas, ir estudar História real sem ser a pré-fabricada ou pré-digerida, é cansativo, chato, aborrecido e basta emprenhar pelos ouvidos e dizer que se tem a certeza de tudo que se julga saber."

Bento não diria melhor.

Rogerio G. V. Pereira disse...

Ninguém é totalmente marreta
há sempre qualquer coisa que se aproveita

Anónimo disse...

E o mais curioso, se eu respondesse a Bento ele iria dizer-me o mesmo ;)
Há coisas difíceis de acreditar mas, nada é aquilo que parece ser e, infelizmente, vai acabar por acontecer tudo aquilo que ninguém quer.
Se o PCP não perceber o que significa centralizar Poder, ninguém mais vai perceber o perigo em que estamos e quando não sobrar empregos para defender direitos laborais porque estamos a olhar para o lado errado, o dia chegará em que não se pode voltar atrás e ter perdido a última oportunidade de se ter, realmente, mudado alguma coisa.
Curiosamente, todos pensam estar a salvo do que está ao virar da esquina, mas do operário, ao advogado, ao professor... ninguém vai escapar e, se ter dado cidadania a um robot não acende nenhuma luz de alarme e ninguém questiona o porquê, a programação foi realmente bem feita.
75% dos empregos já se perderam, o resto está para breve.
https://www.youtube.com/watch?v=NGUbboTjT18
Will robots steal our jobs? – The future of work (2/2) | DW Documentary

isa

Rogerio G. V. Pereira disse...

"ninguém mais vai perceber o perigo em que estamos e quando não sobrar empregos para defender direitos"

A ISA tem a particularidade
(cada vez mais generalizada)
De compreender a realidade
Para depois ficar... sentada

Quanto ao futuro, a informo
que esse risco eu não ignoro

http://conversavinagrada.blogspot.pt/2017/11/web-summit-conto-de-ficcao-tecnologica.html#more

Anónimo disse...

Se fosse há muito tempo atrás, essa do "sentada" poderia fazer mossa ;) mas, como faço aquilo que devo fazer sem tentar provar nada a ninguém e, muito menos, seguir num tipo de batalhão (cada um com seu capitão) se preciso fazer ou provar alguma coisa é à minha consciência.
Como a todos foi dado Livre Arbítrio e Consciência Moral (coisa que é preciso esconder para se dar a uns "iluminados", mais poderes do que aqueles que temos), para todos nós, só há dois resultados possíveis nesta nossa dimensão, reduzir ou acrescentar mais sofrimento (em acções, nunca com palavras, distintivos ou insígnias).

Não sei se reparou mas, cada vez vemos mais pessoas interessadas em tirar aos outros, do que a ficar com menos do que aquilo que dão porque, por exemplo, isto de pedir benesses ao Estado, que não tem nem cria nada, apenas tira a uns para dar aos outros ou aumenta a dívida para os que ainda nem nasceram, a guerra está apenas em escolher o que a cada um convém.

Eu já passei essa "roda de hamster" e, as minhas acções, só respondem à minha Consciência Moral porque o "material" é apenas mais uma ilusão, vendida por quem nos quer controlar.

Quando olha para uma cadeira, pensa que ela é "sólida" mas, não passam de partículas de energia que vibram numa frequência tão baixa que dá a ilusão de ser sólida, basta variar a frequência e temos as restantes ilusões (a razão da tecnologia militar estar tão interessada em manipular frequências) e isto não é utopia, é ciência mas que não convém falar muito, não vão as massas "acordar" e em vez de controladores, ficassem mais preocupadas com a própria energia de que são feitas.
Tesla ou Einstein não interessa aos políticos que precisam de votos.
Energia não pode ser criada nem destruída, apenas pode mudar de forma e se as massas descobrem que não há só o "material" e que nem há muita escolha, apenas entre negativo/positivo que, na sua simplicidade, o povo chama de Bem ou Mal ou Deus e Diabo mas, pelo menos, estão mais perto da verdade do que aqueles que prometem muito mas, que há muito escolheram a energia que querem ser para toda a eternidade.

Pode não acreditar em nada mas, se reparar nos "usos e costumes" daqueles que nos querem escravizar a nível global, diga a eles que são tolos por seguirem o Satanismo, no entanto, até Trump teve uma professora de Cabala porque nada de destruir a energia deles, os "criados" que destruam o seu próprio karma porque, como diz o Povo, "há muitas maneiras de matar pulgas" e, pelos vistos, só precisam manter as pulgas na ignorância daquilo que as pode matar ou subjugar e, para toda a eternidade (literalmente).

Quando as nossas próprias acções podem alterar o que nos rodeia, isso é precisamente o que poderia pôr o Poder na base e não no topo da pirâmide. Um simples ovo de Colombo, onde a verdadeira e real maioria (sem manipulações matemáticas) poderia ter o Poder de controlar as suas próprias vidas e conhecer a verdadeira paz, felicidade e prosperidade sem ter que alimentar sanguessugas caseiras ou globais. Medo, escassez, tudo para manter as pessoas na sua energia mais baixa e nunca descobrirem onde está o seu verdadeiro Poder para mudar tudo para melhor, agora e, para toda a eternidade (nunca esquecer este "pormenor").
Há quem fique convencido que vai para o Paraíso só por não faltar à missa e ajude a encher a caixinha das "esmolas" e lojas religiosas ou políticas, vai tudo dar ao mesmo e acaba no mesmo, uns em cima e outros em baixo, seguindo ordens e, o resultado, é sempre o mesmo.
"Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes" - Albert Einstein.
isa

Rogerio G. V. Pereira disse...

Nada como uma boa
(ou má, sei lá)
provocação
para poder ficar a saber
que, quando algum dia algo acontecer
estaremos do mesmo lado
(apesar deste nosso desaguisado)

Entretanto, pelo caminho vão ficando
as "Vítimas de um credo,
mas não se esgota o sangue da manada"