25 dezembro, 2011

Homilias dominicais (citando Saramago) - 63

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HOMILIA DE HOJE 
Não haveria nada mais fácil no mundo das histórias que escrever um conto de Natal com Menino Jesus ou sem ele, se não fosse dar-se o caso de que uma criança que nasce está sempre nascendo. O nosso grande erro, esquecidos como em geral andamos das infâncias que vivemos, foi pensar que as crianças nascem uma única vez e que depois de nascidas se limitam a ficar à espera de que o tempo passe e as transforme em adultos, os quais, como deveríamos saber, constituem uma espécie diferente de seres humanos. A criança começa por nascer uma vez, que é a de vir ao mundo, e depois continua a nascer para compreendê-lo: não tem outro remédio nem há outra maneira. Como se verá pelas duas breves histórias que se seguem, ambas autênticas, ambas verdadeiras.
A terra, àquela hora, cobria-se de uma noite tão escura que parecia impossível que dela pudesse nascer o Sol. Não tem chovido, as tempestades andam por longe, o rio descansa da sua primeira cheia de Inverno, os charcos são de mercúrio. O ar está frio, parado, e estala quando respiramos, como se nele se suspendesse uma ténue rede de cristais de gelo. Há uma casa e luz lá dentro. E gente: a Família... (continuar a ler aqui) 
Um conto de Natal de José Saramago - História de um muro branco e de uma neve preta

12 comentários:

  1. Que excelente escolha, Rogério! Obrigado!... e... Feliz Natal :))

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  2. Sinto que neste Natal o Menino do Muro Branco e a Menina da Neve Negra renasceram no brilho das estrelas mais uma vez dentre outras tantas que ainda virão. Um grande bj

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  3. Saramago e o Rogério sempre a emocionar-nos! Necessitamos renascer muitas vezes ao longo da vida, para atingir a compreensão deste mundo e mesmo assim creio que nunca o conseguiremos.

    Falando do seu livro. Como é óbvio eu quero adquiri-lo, autografado, mas nunca comprei nada pela internet e não vai ser desta vez que o vou fazer.
    O que eu lhe sugiro é que me dê o seu NIB e após efectuada a transferência bancária, incuindo os portes, o Rogério envia-me o livro. Está bem assim?
    Se estiver bem para si, deixe-me p/f o seu E-mail.

    Um beijo

    Janita

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  4. Lindo conto de Natal que não conhecia!
    Obrigada!

    Aquele abraço

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  5. «Ah, quantas vezes ainda teremos de dizer que é preciso muito cuidado com as crianças!» É bem verdade! Como é que o J. Saramago sabia tão bem estas coisas?

    Boa escolha, amigo Rogerito!
    Beijinhos

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  6. Gosto muito de Saramago. Comovo-me sempre com esta escrita tão dele.
    E de facto há dias em que a neve, a terra, o mar, é completamente negro...

    Um beijo.

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  7. Um conto de uma beleza humana ímpar.

    Obrigada pela sua presença constante. Mas, de facto, o Rogério não é aquela flor que diz ser. É uma um pouco mais à esquerda da que referiu. Por isso é tão especial.

    Beijo

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  8. Oxalá se tenham encontrado e cicatrizado todas as feridas, amigo Rogério.

    Todos os dias nascem crianças especiais, todas elas em nada diferentes umas das outras. Basta amá-las sempre, todos os dias e só assim seria natal.

    Obrigada.

    Beijo

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