15 dezembro, 2011

Metamorfose - IX (Ali estão, beijando vermes)


Ali estão, beijando vermes

Sigamos o cherne, disse depois a mulher
Nas águas, já mais espessas,
as ondas rastejavam, e mal se sentia
o cheiro da já longínqua  maresia

Sigamos o cherne, agora ninguém o proclama
Onde antes havia água tudo é lama
As ondas se esfumaram na própria espuma
Da maresia, resta tão pouca, ou mesmo nenhuma

Os que antes aceitavam beijar o cherne,
acordam beijando um verme
sem amor, sem alegria de ser beijado

O cardume não se dispersou,
apenas anda em desnorte
temendo, adivinhando, a sua sorte..

..............................................................................................Rogério Pereira