06 dezembro, 2011

Metamorfose -VII (Depois de ser árvore, regressei!)

Pediram-me que fosse árvore,
com olhos de implorar...
Não uma árvore qualquer,
mas com ramos de abraçar,
tronco forte
bem enraizado,
suavemente inclinado.

Aceitei e gostei.
Gostei que o vento me sussurrasse.
Uma ave em mim pousasse
escolhendo-me para seu ninho.
Gostei de me sentir enorme, gigante
dando conforto e sombra à caminhante


Gostei de me desnudar, perder folhagem
atapetando a paisagem
Gostei de sentir a seiva quente
percorrer-me como quando era gente...

Aí, senti saudade de voltar
e voltei, em festa...
Quem antes via apenas a árvore,
pode agora ver, através de mim, a floresta
Repetição 

20 comentários:

  1. Lindo! Lindíssimo!

    Beijo de quem é árvore.

    ResponderEliminar
  2. Caro Rogério
    Estava a ler o seu "poema" quando me chegou a mensagem do seu comentário. Retribuo-lhe com a mesma expressão "este poema está um espanto" (aliás como já nos habituou.
    Abraço

    ResponderEliminar
  3. É sábio vermos, por vezes, a vida através dos olhos dos outros.
    Perspicaz e encantador.

    ResponderEliminar
  4. Dizem os hindus que nossa essência já experimentou os reinos mineral, vegetal e animal.
    Como árvore
    Como homem
    Conseguistes comover

    Barbara Lima

    ResponderEliminar
  5. Querida B já fui tudo isso que o Homem foi. E isso nos comove.

    ResponderEliminar
  6. Gostei, gostei desta seiva a pulsar pela árvore de quantas terras há.

    ResponderEliminar
  7. O animismo da árvore, em linguagem poética, a sua utilidade enquanto ser individual e o apelo ao coletivo como experiência maior.

    A Natureza, na poesia clássica, não se identifica com o mundo exterior, com a paisagem. Identifica-se primacialmente com a natureza humana - o estudo do homem, das suas paixões, da sua alma, do seu coração. Assim não haveria necessidade desse "voltar a ser gente", para percebermos esta mensagem. (pertinente e necessária, obviamente).

    Um beijo

    ResponderEliminar
  8. Incrível a forma como aplicou a metáfora árvore e conseguiu expressar a vivacidade do ser. Intenso seu poema, Rogério, daqueles que a gente lê uma vez e é irresistível não ler novamente.

    :)

    ResponderEliminar
  9. Em festa uno-me a ti
    Toda coberta de flores
    E pela floresta vamos
    A desvendar os amores
    Os sons e luzes deixamos
    Por todo nosso rastro
    Para que aqueles confusos
    Possam seguir nossos passos.
    Embora com toda atenção
    Nunca conseguirão
    Fazer a mesma trilha
    Pois a nossa não é no chão
    Nem sequer na ilha.
    Voamos por entre os galhos
    Devastamos as nuvens
    Pousamos de soslaio
    Por entre os raios da lua
    Corremos para a face oculta
    Lá onde por fim repousamos
    A sorrir um para o outro
    Prometendo o sonho comum
    Que há muito imaginamos.

    Um bj querido amigo
    no teu coração.

    ResponderEliminar
  10. Querido amigo Rogério,
    Feliz com o seu e meu regresso, sinto-me abraçada pelos galhos desnudados dessa árvore.
    Linda! Imensamente bela esta Metamorfose. Obrigada!

    Beijinhos.

    Janita

    ResponderEliminar
  11. Rogério querido,

    Lindíssimo!!!
    Nem precisa, mas muitos girassóis nos seus dias. beijos.

    ResponderEliminar
  12. Muito lindo! E como eu adoro árvores!
    Muito bonito!

    Parabéns. Beijinhos

    ResponderEliminar
  13. Rogério,

    Por estes dias não estou a vir muito ao computador, mas ainda bem que vim hoje por aqui, teria sido uma grande perda para mim perder este poema e a sua alma.

    Nem sei que dizer, gostei tanto que fiquei muda...muda de espanto e se há algo que peço muito para não perder para além da saúde é a capacidade de me espantar.
    Hoje, aqui, agora, estou num espanto tal de alegria e comoção, que fico ainda a contemplar as palavras e a imagem lindíssima.

    É esta falta de comunhão com a natureza que nós próprios somos, que faz com que o Homem moderno tenha perdido a sua identidade.

    Obrigada pela beleza e pela ternura dos versos.

    Beijos
    Branca

    ResponderEliminar
  14. Rogério, nunca fui de elogio fácil e circunstâncial, aquele elogio só para fazer o jeito.
    Quando leio e não gosto, calo-me, faço-me à vida e não digo nada.

    Mas bolas ! quando sou inundado pela beleza das palavras deste poema, eu sou lá capaz de me calar !
    Que beleza, que força, nos trasmitem estas palavras.
    Fiquei rendido.

    Obrigado. O dia assim até fica mais lindo.

    ResponderEliminar
  15. Que bonito, Rogério!
    Há muito tempo que não ficava tão encantada com algo que lia...
    Parabéns por esta metamorfose.
    Beijinhos.

    ResponderEliminar
  16. Que maravilhosa metamorfose.

    beijos meu querido.

    ResponderEliminar