16 agosto, 2012

Qual natureza humana, qual tanga? - 2

Quando há dias atrás escrevi, a propósito de corruptos e do poder: "Sou darwinista e quando me falam em natureza humana é como que a dizer: "deixa-os andar, não há nada a fazer, está no ADN do ser", estava longe de vir hoje a ler o que li. Parecia escrito dirigido como resposta ao que escrevi. Dizia uma senhora, doutora e, com prosa demolidora: "A Esquerda persiste na recusa ideológica em operar com o conceito de "natureza humana". O artigo referido, vem no Público de hoje e torna ainda mais claro o que eu dizia no outro dia: 
"Garantidos os pilares essenciais do Estado Social, Educação e Saúde, as pessoas votam em quem lhes prometer maior acesso a plasmas, casas, automóveis, iPad’s e viagens por paragens tropicais; por quem lhes garanta a posse de um maior número de bens, materiais ou simbólicos. Está na natureza dos homens, que a Esquerda encara erradamente como um produto transitório de um sistema social defeituoso. Quando em 1884 Engels presenteia a Humanidade com A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, remete-nos para um mundo angélico, com criaturas a viverem felizes numa sociedade livre da praga do individualismo, em que tudo era comunitário (...)"
Claro que o texto diz muito mais que isto. Diz o costume, por parte de quem aceita a inevitabilidade do actual estado da arte, afirmando ainda que os comunistas nunca chegarão ao poder, embora admita, a finalizar, que tal possa acontecer por uma "circunstância absolutamente extraordinária e totalmente imprevisível." Que novidade, ou não fosse a marcha da história um caminho recheado de imprevisibilidades...

Imagem da net
Quem vê a mulher feita a partir de uma nossa costela, 
está-se nas tintas para entender que a evolução da humanidade está ligada ao 
papel da mulher e que ela já deteve o poder, antes do homem o ter.
Por isso insisto: a natureza humana é uma grande tanga.