10 dezembro, 2015

Maria Eugénia Cunhal (1927 - 2015 )


 

Quando Vieres
Quando vieres
Encontrarás tudo como quando partiste.
A mãe bordará a um canto da sala...
Apenas os cabelos mais brancos
E o olhar mais cansado.
O pai fumará o cigarro depois do jantar
E lerá o jornal.
Quando vieres
Só não encontrarás aquela menina de saias curtas
E cabelos entrançados
Que deixaste um dia.
Mas os meus filhos brincarão nos teus joelhos
Como se te tivessem sempre conhecido.
Quando vieres
nenhum de nós dirá nada
mas a mãe largará o bordado
o pai largará o jornal
as crianças os brinquedos
e abriremos para ti os nossos corações.
Pois quando tu vieres
Não és só tu que vens
É todo um mundo novo que despontará lá fora
Quando vieres.
Maria Eugénia Cunhal, 
in "Silêncio de Vidro"

7 comentários:

Elvira Carvalho disse...

É mais um pouquinho da história viva que se apaga. Para sempre ficarão os registos escritos, entre os quais se encontra esta bela mensagem de amor e esperança.
Que a sua alma encontre a Luz.
Abraço

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Bom de se ler e de interiorizar.
Um dia tudo será diferente.
Será diferente quando chegares
Ou quando partires para sempre.
Em nós ficam as lembranças.

ematejoca disse...

Fiquei triste ao saber da morte da irmã do CUNHAL. É mais uma PERSONALIDADE PORTUGUESA que se apaga.

Gostei muito de ler o poema.

Adelaide Araçai disse...

Obrigada por apresentar-me pessoa tão sensível, que se imortaliza em palavras.

Muita Luz e Paz!
Abraços

Lídia Borges disse...


Este poema está sempre a comover-me. E já o li tantas vezes!...


Bj.

Mar Arável disse...

Não deixamos morrer os nossos mortos

Abraço

Agostinho disse...

Bonito este quando vieres.