23 abril, 2012

Ainda o papel do intelectuais...

Pensando bem, não se sabe quem faz propaganda a quê e a quem

Num comentário a um dos últimos posts, um amigo escrevia algo que merece o realce que hoje lhe dou: 
"Que eu saiba os intelectuais nunca fizeram uma revolução (1). Podem, quando muito, através da análise, aperceber-se das razões por que ela não é feita. Outros nem isso fazem. Limitam-se a louvar a pinga (e a publicidade pinga sempre, dado que há um "mercado" de publicidade) que o Pingo Doce lhes oferece. Não vou citar nomes, por escusado. Estando vivos fisicamente, e gostando da pingoleta (palavra muito expressiva, utilizada por Camilo Castelo Branco no “Amor de Perdição” a propósito de uma freira…) morreram ideologicamente inebriados antes da morte física de Saramago, que continua a "viver" para muitos de nós. Mas basta de chorar sobre os intelectuais, sejam escritores ou não. Choremos sobre nós. Consignar unicamente aos intelectuais o dever de elucidar pode esconder várias coisas, entre elas o complexo de o não ser, o medo de errar na apreciação, a falta da prática. Pensar a realidade é o dever de todo e qualquer cidadão. Mas há muitas maneiras de pensar. Desde seguir acriticamente todos os conteúdos que nos são inculcados por diversos órgãos de informação ou até, frente ao próprio erro de apreciação, a falta de autocrítica. Por que terão surgido tantos blogues de esquerda na informação diária disponível? Que eu saiba nenhuma “operadora de caixa” (expressão bonita que esconde a realidade “operária”) terá tido a benesse de promover uma qualquer marca de vinho. Alguém me poderá apontar a razão? Intelectual foi Adolfo Hitler, com as consequências que todos nós conhecemos. Mas o Chico sapateiro (Francisco Miguel), operário, ele reflectiu sobre a sua condição e a dos outros e agiu. E até já houve quem, sendo um intelectual, se considerasse “filho adoptivo da classe operária”. Dos que morreram e continuam “vivos”. Leia-se, a propósito, de Miguel Urbano Rodrigues, "Da utopia à revolta, da indignação à revolução
(1) Aceite-se a afirmação. Contudo, veja-se que não há revolução que não tenha tido seus precursores