13 abril, 2012

Qualquer ligação entre o aqui escrito e o comportamento de um povo subserviente, é uma coincidência indecente. (ou talvez não)

Retirado da primeira página do DN

Conheci hoje (só hoje, o que pode ser significativo de mo terem escondido) Pierre Bourdieu. Claro que me surpreendeu encontrar meu pensamento tão bem estruturado em alguém que nem conheci, que nunca ouvi nem li. Duas das suas cinco abordagens me fizeram pensar. A primeira delas é o conceito de “violência simbólica” como forma de controlo de um estrato social sobre outro, legitimando tal domínio por meio dos estilos de vida. Isto é, não é necessária a violência efectiva e real para fazer prevalecer valores da classe dominante. Bastam os valores assumidos na vida quotidiana e os difundidos, na escola, nos media... A segunda abordagem, é suportada pelo conceito “capital cultural”. Sobre este, encontro evidentes pontes entre o que se aborda no vídeo e a recente decisão de, no nosso ensino, se terem separados turmas na base nos níveis de dificuldade de aprendizagem dos alunos. Mas há algo que liga ambos, quanto a esta medida: Não será ela, só por si, uma forma de “violência simbólica”, segundo a formulação de Bourdieu?


Isto dura, desde que me conheço... e, ao que parece, agora se reforça.

18 comentários:

  1. Sabes a que é que isto conduz? Ao saudosismo. E não creio que estas atitudes, agora de um ministro, depois de um secretário de estado e por aí fora sejam inocentes. Isto é apartheid. E sabes o que é saudosismo? É dizer-mos que nem no tempo de Salazar era assim. Eles querem que digamos e pensemos isto. Torna-se mais fácil para lá nos conduzirem.

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  2. Não vou comentar. Porque se o fizesse teria de escrever coisas que não quero, inclusive os chamados palavrões...

    Beijo

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  3. Como sempre estou um zero à esquerda no respeita a vida cultural, social e política em Portugal e, a minha desculpa é, que estou bem longe de tudo isso, e para me chatiar, já me chega o que se passa por aqui.

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  4. Subserviente4 e cabisbaixo aceita o Nuno "Pior" (do) Crato.

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  5. Caro Rogério
    Acho que estamos viver na realidade aquela de (agarrem-me se não eu vou-me a eles) à falta de capacidade e (digo eu) autoridade para fazer o que quer que seja, vão-se deitando uns fogachos.
    Abraço e até amanhã.
    Rodrigo

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  6. Descoberta do Rothschild em meados do século XX:


    (...)para alcançar uma economia totalmente previsível, os elementos das classes mais baixas da sociedade devem ser trazidos para um controle total, ou seja, para serem colocados na rua, sob o jugo, e atribuídos a deveres sociais de longo prazo desde tenra idade e muito cedo, antes que eles tenham a chance de fazer perguntas ou dúvidar sobre a propriedade da matéria. Para atingir essa conformidade, a unidade familiar das classes mais baixas, deve ser desintegrada por um processo de aumento das preocupações dos pais.

    .
    A qualidade da Educação dada às classes mais baixas deve ser das mais pobres, de modo que o fosso da ignorância possa isolar as classes inferiores das classes superiores, e esta seja e permaneça incompreensível, para as classes mais baixas. Com tal deficiência, que os melhores elementos das classes mais baixas, têm pouca esperança de retirar o lote que foi dado na vida. Esta forma de escravidão é essencial para manter um certo nível de ordem social, paz e tranqüilidade para os dirigentes das classes superiores.(...)


    É claro que Portugal com os cães de fila que o governa,
    é o 1º da UE nas experiências em campo. Os outros na sua grande maioria, segui-lo-ão.

    Quanto ao saudosismo... a ditadura já está implementada.

    Um beijo

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  7. "Isto dura, desde que me conheço... e, ao que parece, agora se reforça".

    Este é um velho problema ao qual nunca foi dada resposta cabal. A escola foi criada segundo o interesses de uns e é um facto que a cultura dominante se sobrepõe valorizando um saber em detrimento de outro. Quando uma criança chega à escola já traz uma bagagem que responde melhor ou pior ao que a escola pretende dela. É como uma corrida em que a linha de partida é variável, sendo que uns partem de situação muito privilegiada relativamente a outros.

    Mas a escola que temos está cada vez mais longe das necessidades específicas de cada aluno. O ensino profissional não passa de um parente pobre para onde são mandados aqueles que não obtêm sucesso no ensino dito normal, logo desvalorizado e maltratado.

    O elevado número de alunos por turma, tira ao professor qualquer possibilidade de dar apoio individualizado àqueles que mais precisam dele. Parece que a ideia é tratar todas as doenças com um único remédio.

    Mais do mesmo... Estamos mal!

    L.B.

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  8. Não vou comentar, sinto-me sem capacidade, perante a tristeza que me transmite esta realidade.

    Meu amigo espero vê-lo amanhã.

    Beijinhoe uma flor

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  9. Já aqui tentei dizer o que penso, mas acho que não consigo transmitir o desgosto e a raiva que esta cambada que outra cambada colocou no Poder me provoca!!!

    Fica bem

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  10. Pois eu tive, por obrigação, que ler Pierre Boudieu o que, na altura, por ser por obrigação, me tirava a vontade de ler ;)

    Mas é engraçado esse horror de separar bons e maus alunos porque há sempre as duas faces numa moeda.
    É claro que para os professores nem é assunto que se comente, eu ainda me lembro de como era dar aulas em turmas onde a grande maioria eram bons alunos e noutras turmas onde, muitas vezes, apenas por mau comportamento, era desgastante ensinar fosse o que fosse.
    Agora quando tenho a sorte ou o azar de ter um chamado de bom aluno em casa, que neste período teve tudo 5, excepto a música que teve 4, agrada-me a ideia e porquê?
    Porque apesar de ter boas notas detesta a escola, está a ficar completamente desmotivado.
    Imagine o Rogério um exemplo... sabe a tabuada e metem-no numa aula de 90 minutos a repetir sempre o mesmo, até que todos a saibam, até pode aproveitar o tempo para adiantar os trabalhos que seriam para fazer em casa e o resto do tempo, talvez bocejar... fica difícil de aguentar. Depois o professor pergunta qualquer coisa, claro que põe o braço no ar, mas o professor como sabe que o Rogério sabe diz, quero que outro responda sem ser o Rogério. Quem é que começa a sentir-se posto de lado?
    Um bom professor se quer que a maioria dos alunos aprenda, tem que explicar a mesma coisa de várias maneiras, até conseguir que os alunos entendam, ora das duas uma, ou passa à frente na matéria e muitos vão ficando cada vez mais para trás, ou não tira partido dos que podem ir mais longe.
    E isto de ser bom aluno na escola actual é quase um pesadelo, os colegas fazem-lhe sentir que quem tem problemas e foge ao normal é ele, portanto umas rasteiradas, pedradas e afins estão na ordem do dia e isto também não é nada bom.
    Na sala dele são 3 que se sentem completamente àparte porque quando se chega ao ponto de um colega se virar para ele e lhe pergunta com ar de desprezo se ele vai querer ter sempre boas notas, como se de uma moléstia se tratasse... ora algo está muito errado.
    Uma minoria que parece ter que ser castigada e obrigada a ir mais devagar para acompanhar a maioria.
    Não será um desperdício?
    No entretanto, o meu ainda se acomoda e acaba por fazer apenas o mínimo indispensável sem sequer tentar fazer mais e melhor e entrar no deixa andar porque é mais cómodo deixar entrar a preguiça e ir andando, tentando por todos os meios passar despercebido.
    E pronto... já desabafei ;)

    Bjos

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  11. Uma das medidas mais aberrantes deste senhor Crato.
    Que desilusão foi para mim este ministro...julguei que conhecesse melhor a realidade do terreno, mas enganei-me.
    É outro dos que fedem...

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  12. Não tenho opinião formada na matéria, mas sei que será para beneficio de uns em detrimento de outros... no caso, será melhor para os bons alunos e estigmatizante para os maus.

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  13. Este assunto mexe comigo e quando vejo comentários onde se diz que é estigmatizante para os maus alunos, a solução parece ser sempre baixar a fasquia da exigência, mas quando se chega ao ponto dos professores darem o nº das páginas onde está a matéria que vai sair no teste, o melhor será levar o computador e na altura do teste fazer uma pesquiza no Google para dar a resposta. Como bem sabe a maioria dos professores, há alunos que em casa não abrem os livros e a preguiça vai sendo premiada todos os dias. Tanto se desce a exigência que o ensino público passa a não valer nada, contentes ficarão os que têm dinheiro para pagar a um bom colégio onde realmente se ensina e exige.
    Se os alunos estiverem ao mesmo nível numa turma, nem há os que se consideram muito espertos, porque a exigência é tão pouca que isto em terra de cegos quem tem um olho é rei, pois basta abrirem os livros na meia dúzia de páginas que foram indicadas, como os alunos menos bons estando ao mesmo nível dos outros, conseguem que o professor dê a matéria da maneira mais indicada a esse grupo de alunos. Até concordo em aumentar o tempo dispensado a essa turma e retirar tempo aos que não tenham essas dificuldades na aprendizagem da mesma matéria.
    Por este andar, nos jogos olímpicos, mais propriamente no salto em altura, o melhor será colocar a barra no chão, para nem ser necessário as 3 tentativas e no futebol, alarguem a baliza a toda a largura do estádio para não haver jogadores que se sintam estigmatizados por não acertarem na baliza... e já agora... talvez por isso, qualquer um pode chegar ao governo de um país, pois nada de estigmatizar a incompetência para se chegar melhor ao que nós chegámos.

    Bjos

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  14. que triste isso... a legitimaçao de um apartheid, a oficializar diferenças já na escola. de um lado os que muito se acharão, de outro os que já crescerão imersos em discriminaçao e falta de auto-estima.

    é triste...

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  15. Um dia

    será que os eleitores
    serão mais exigentes
    na defesa dos seus interesses?

    De Crato em Crato
    um dia perdemos Portalegre
    o Alentejo
    o corpo inteiro
    este sítio
    à beira-mar betonado

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  16. Venho aos comentários porque, apesar de todos (sem excepção) pertinentes a sua grande maioria pegam apenas numa das partes do problema: "o capital cultural". Culpa minha, pelo destaque que lhe dei. Mas não quero deixar de chamar a atenção que o autor citado liga aquele conceito ao da "violência simbólica" (sem esquecer os outros, também referidos). A escola representa o que se passa na sociedade sem contribuir para melhorar a humanidade. Não tenho duvida que a criança pobre, que vive em bairros sociais, ou em outros guetos que as cidades (e aldeias) desenvolvem, terá entrada no ensino com menos aptidões e conhecimentos e, por ventura, com ritmos de aprendizagem mais lentos e sem apoio em casa... Mas se a escola se organiza em função disso, teremos um ensino a privilegiar as classes ricas e média altas. Não tenho, também, duvidas sobre os efeitos da tal "violência simbólica"... nas suas mais diversas manifestações.

    Quanto às dificuldades em organizar a aula e desenvolver conteúdos e saberes, reconheço razão do que a Isa diz. A questão é saber se a escola tem as competências requeridas, se os professores estão habilitados a lidar com as situações e se o número de alunos por turma permitem outro modo ou solução que não seja a agora encontrada...

    Julgo que os directores estarão de acordo com a medida. Permite-lhes resolver o problema. Talvez até dois. A dos alunos difíceis e o dos professores incompetentes. Ponham-se estes a ensinar aqueles e ficam todos contentes (ou quase...)

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  17. Estamos a andar 40 anos para trás! Mas por isto os professores não vêm para a rua aos 200 000! Este é o pensamento retrógrado dos professores de direita, dos professores do secundário. Desculpem-me mas sei do que falo!

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