24 abril, 2012

Desculpa, não é minha a culpa...


Tens razão
Desculpa
Desculpa
Desculpa
Tem paciência
por esta longa ausência,
embora não seja minha
a culpa
É este miúdo aqui ao lado,
pedindo pão
É esta sofrida canção
É aquele vizinho,
que o perdeu o emprego
e mo diz em segredo
É esta, outra mulher,
que está chorando
porque é reduzida
a renda que lhe vão pagando
É aquela flor que perdeu a cor
É a ave que se perdeu da árvore
É o sol que se esconde sabe lá Deus onde
É a Primavera
que se enganou na data de regressar
e demora a chegar
É a lama, cheia de gente
que nela entrou de repente
É o senhor de pasta e gravata
que arrota e quer mais
Não sei para me onde virar
tenho muito que fazer
para meu cravo defender...

Tens razão
Desculpa
Desculpa
Desculpa,
embora não seja minha
a culpa 
Deixado num comentário à Gisa  (revisto)

15 comentários:

Gisa disse...

Beijo-te os olhos, pego-te as mãos, pouso tua cabeça cansada em meu colo e te faço dormir cantando baixinho. Tudo há de passar. Rezo em silêncio.
Um grande bj querido amigo

BRANCAMAR disse...

Comovi-me com o poema e o comentário da Gisa, porque é assim que um bom cidadão se sente neste momento, sem saber para onde se virar, por tão imensa que é a frente de combate e depois de tantas lutas travadas e outras tantas que tem pela frente sabe tão bem este miminho de um colo vindo do outro lado do Atlântico.

"Almas que não foram fardadas" nem na guerra, nem no mar, nem agora e aqui noutra espécie de batalhas...

Beijos
Branca

folha seca disse...

Profundo Caro Rogério.
Sabe bem ler um coisa destas, neste dia, logo de manhã e recordar que há 38 anos muitos de nós nem sonhavamos que estávamos tão perto da liberdade.
Sim! Temos muito que fazer para o "nosso" cravo defender...
Abraço
Rodrigo

Hugo de Macedo disse...

Rogério, "apenas" fabuloso.
Um poema singelo mas com uma carga emocional enorme.

Abraço.

São disse...

Fabuloso no sentimento que transmite!

Quem viveu Abril e o seu sinho e a sua esperança e neste momento sofre este esmagamento da luz e da liberdade que nos trouxe só pde aplaudir comovidamente !!

Um abraço estreito e solidário, amigo e companheiro.

Guma Kimbanda disse...

Olá amigo Rogério,

Tanto por fazer e tu melhor que ninguém sabes para onde te virar.

Kandando sentido e solidário

Anónimo disse...

Comovi-me com o poema e o comentário da Gisa, porque é assim que um bom cidadão se sente neste momento, sem saber para onde se virar, por tão imensa que é a frente de combate e depois de tantas lutas travadas e outras tantas que tem pela frente sabe tão bem este miminho de um colo vindo do outro lado do Atlântico.

"Almas que não foram fardadas" nem na guerra, nem no mar, nem agora e aqui noutra espécie de batalhas...

Beijos
Branca

acácia rubra disse...

Junto-me a si, pedindo 'Desculpa'.

Agradeço-lhe este momento de sentida preocupação cívica.

Agradeço por a sua voz ser a de tantos nós.

Beijo

jrd disse...

Quanto tempo mais teremos de pedir desculpa pela culpa dos outros?
Não sei, mas sei que um dia seremos "culpados" por deixar de pedir desculpa.
Espero bem!

Abraço de Abril

Lídia Borges disse...

É um poema de que não sei falar, ainda que tenha sabido sentir a ideia mais profunda mensagem.

[...]


L.B.

Janita disse...

Sinto-me emocionada e sem palavras perante este pedido de desculpas de quem não tem culpa.
Um abraço, Rogério.

Graça Sampaio disse...

Muito bem! Muito Abril!

Eva Gonçalves disse...

Já vai ser a terceira vez que vou dizer que adorei!! :)) beijo

Anónimo disse...

Aplausos ...

Havemos de conseguir defender este nosso cravo, custe o que custar.

Beijo

Lídia Borges disse...

Ah! Só agora vi que este poema é dedicado à Gisa.

Assim já o compreendo melhor!