08 abril, 2012

Domingo de Páscoa, com homilia mas sem Saramago (citado)

Hoje o dia será como o do ano passado, sem homilia citando Saramago. Tinha escrito outro texto e confesso ter hesitado (muito) em o pôr de lado. Não, não cedi, apenas acho que o que tem de ser dito necessita de se afastar do ruído, do pré-estabelecido, do hábito adquirido, da ténue e longínqua memória da celebração...

HOMILIA DE HOJE. 
Estaremos reunidos. Todos. Almoçaremos juntos. E falaremos muito, de todos os assuntos. Falaremos, com certeza, à mesa, da mesa, dos pratos, dos doces, do colesterol,  da tensão arterial, das notas dos netos, das últimas traquinices dos mais novos, das primeiras palavritas da Maria, do que se passa em Angola, do meu livro e se vou ao não escrever outro a seguir. Responderei a isso. Uns vão rir, outros esboçar um sorriso. E continuará a conversa por aquilo que nos apeteça, pelo que pensamos que a cada um espera e pela incerteza dessa espera. Certo estará reservado um minuto, para delinearmos a salvação do mundo. Será assim, porque sim. Porque isso nos une. E talvez alguém se lembre da ressurreição. Talvez sim, talvez não. Podia ser eu a falar nisso, mas não quero ter esse protagonismo. Cabe-me a mim, como sempre, apontar o dedo à culpada do que se vai passar. Ela, por ter 92 anos, não irá ouvir à primeira. Do que se passará, darei conta. Para que conste.
Enquanto isso se passar, deixo isso aqui. Pode tirar: