06 agosto, 2010

Em Hiroshima, fui reconhecido como "namban-jin"

Tomiko Matsumoto, de 78 anos, lembra-se bem do clarão de que falou Ban Ki-moon e disse à Reuters que o mais importante é o fim das armas nucleares. “Se os Estados Unidos tomarem a liderança, outros países vão segui-los. Eu odiei-os, mas agora esse ódio desapareceu. O que quero é ver um mundo pacífico.”

in Jornal "O Público", hoje

Preparava-me para abandonar as cerimónias quando um jovem, pondo-me a mão no braço, me perguntou: "E tu, namban-jin, que pensas disto?" Apanhado desprevenido pela abordagem, a mim, um português por ali perdido entre tantas personalidades, tive uma reacção irreflectida, dando como palavras minhas as procupações de Saramago (que acabara de ler no blogue do Carlos de Albuquerque):

“…Gosto da luz do dia, da claridade, do aperto de mão de um amigo, de uma boa palavra reconfortante, gosto da esperança, amo o amor, amo a beleza das coisas e das pessoas (que todas são belas) – mas tudo isto me pode ser tirado de um momento para o outro. Em todo o mundo há mísseis apontados para todo o mundo, por cima do mundo cruzam-se aviões com bombas nucleares capazes de derreter o mundo, em certos sítios do mundo estão guardadas bactérias suficientes para exterminar a vida em todo o mundo." (Saramago, in "Planeta dos Horrores")

A isto o jovem respondeu: "Pois! Entre deixar de os odiar e passar a confiar, vai uma razoável distância..."

9 comentários:

  1. Sem dúvida a distância é enorme, e eu não confio.
    Abração

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  2. Eram os americanos e os russos que tinham bombas nucleares, agora, tenho a impressão que qualquer dia, até a minha vizinha do lado, tem uma bomba nuclear.


    Bjos

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  3. Caro amigo Rogério :)
    Apressei-me a vir até aqui... e valeu a pena! - esta é, sem dúvida, uma importante e interessante história de alerta.
    Obrigado!
    Abraço amigo.

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  4. Vai uma razoável distância sim...

    bj.

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  5. O alerta de Saramago, que o seu jovem japones tão bem entendeu, é um dos mais esperançados alertas quanto aos riscos de actos transloucados, que tanto podem vir de potencias como de organizações terroristas. Vivemos de facto no Planeta dos Horrores.

    Obrigado a si e também ao Carlos de Albuquerque

    Beijo

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  6. Acho bem que recordemos esa tragédia craiada pela estupidez humana, para não esquecer-mos...

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  7. Amigo Rogério,

    Obrigada por teres lembrado esse HORROR, esse CRIME contra a humanidade.

    “Se os Estados Unidos tomarem a liderança, outros países vão segui-los. Eu odiei-os, mas agora esse ódio desapareceu. O que quero é ver um mundo pacífico.”

    Eu não sei se seria tão condescendente!!!!!!!!!!!!!!!!

    Beijinhos

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  8. Meus Caros, registo os vossos comentários, com todo o apreço. Percebo que todos estarão com as vozes (e os actos) que se erguem contra o uso de instrumentos que faz do nosso mundo, um Planeta de Horrores... Contudo, quero comentar em destaque alguns dos comentadores:

    Isa/Maiuka - O vizinho do lado (ou um terrorista) só utilizará tais instrumentos se lhes pagarem bem. Suponho que nenhum de nós três terá massa para tal missão...

    Polittikus - Nestes dramas (Hiroshima e Nagasaki) só houve uma coisa estupida: a bomba. A decisão de a utilizar foi um acto Polittiku não estupido mas sim terrorista... e há diferenças!

    Fernanda - Eu sei que não seria tão condescendente quanto o velho Matsumoto, mas lembro que o jovem japones alinha consigo...

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  9. Acabo de ver o "Ghost writer" do Polanski qu igualmente me conduziu ao planeta de horrores de que fala. Sem necessidade de bombas atómicas, o que me parece dar razão à Isa.

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