08 agosto, 2010

Homilias dominicais (citando Saramago) - 1

Hoje inicio estas "Homilias". O título pode parecer controverso, mas não é. Quem não ouvia homilias, passa a ter essa possibilidade. Quem a elas assiste, passa a poder te-las em duplicado, se aqui vier todos os domingos. Não pretendo fazer mais nada do que projectar ideias, porque sem elas "não vamos a parte nenhuma".

Foto extraída do sitio da Rádio de Renascença, Rádio Católica Portuguesa, onde me inspirei para as minhas "Homilias", de onde farei a (re)construção das ideias de Saramago, na esperança de, com elas. chegaremos a parte alguma...

HOMILIA DE HOJE
A GÉNESE - Tudo tem uma forma de começar. A génese da coisa humana resulta sempre de um acto comum (comunhão) entre homem e mulher e pode ser lembrada assim: "Para vencer o silenciamento e a omissão, aceitei a ideia da Fernanda () em, eu aqui e ela lá (Na Casa do Rau), editarmos, num dia da semana, um texto alusivo a José Saramago. Será curto, mas forte e profundo, como eram os pensamentos dele. Matéria-prima não nos falta (... ) Junte-se a nós, dedique um post por semana a um pensamento de José Saramago!" A partir de hoje, passo a chamar apóstolos a quem se juntou (ou vai juntando)...
Apóstolo: Eu próprio
A MORTE - Tudo o que na vida existe, se transforma e terá por passar pela fase de morte. A notícia de que a justiça morreu, assusta. Assusta porque, passando por essa fase, toda a vida poderá continuar, mas não lhe poderemos chamar vida humana. Foi por isso que um camponês tocou o sino a rebate. Foram muitos os apóstolos a divulgar as ideias que Saramago foi levar ao Fórum Social Mundial...
A VIDA - A vida sem sonho é sem razão. Vale a pena ter ideias, se nos levantarmos do chão: "Do chão sabemos que se levantam as searas e as árvores, levantam-se os animais que correm os campos ou voam por cima deles, levantam-se os homens e as suas esperanças. Também do chão pode levantar-se um livro, como uma espiga de trigo ou uma flor brava. Ou uma ave. Ou uma bandeira. Enfim, cá estou eu outra vez a sonhar. Como os homens a quem me dirijo."
Apóstolo: Folha Seca
DONOS DA VIDA - Há quem em nome da vida espalhe a morte. Se arrogue a acusar ser de pesadelo o sono de outros povos e opte pelo exterminio. Foi assim em Hiroshima e Nagasaki, existem ameaças de que assim pode vir a acontecer neste "Planeta dos Horrores".
DONOS DO MUNDO - "[...]O eleitor poderá tirar do poder um governo que não lhe agrade e pôr outro no seu lugar, mas o seu voto não teve, não tem, nem nunca terá qualquer efeito visível sobre a única e real força que governa o mundo, e portanto o seu país e a sua pessoa: refiro-me, obviamente, ao poder económico,"
Apóstolo: Susana Serrano
O VERÂO - "O verão é todo ele um apelo, um clamor de festa que se ouve no zumbir dos grandes calores. E quando o sol povoa de margens e ilhas de sombra o oceano escaldante da luz, todos somos um pouco náufragos arquejamos docemente, enquanto o suor poreja como fontes e nos banha de sal."
AS PALAVRAS - Tudo o que eu escrevi até aqui, nesta primeira homilia, teve a palavra como semente: "Daí que seja urgente mondar as palavras para que a sementeira se mude em seara. Daí que as palavras sejam instrumento de morte – ou de salvação. Daí que a palavra só valha o que valer o silêncio do acto."
A MAIS BELA FLOR DO MUNDO - Uma criança, interpretando o conto "A Maior Flor do Mundo" não lhe valoriza a dimensão. A flor, a dela, é a mais bela. Talvez como resposta à interrogação de Saramago: “Quem sabe se um dia virei a ler esta história, escrita por ti que me lês, mas muito mais bonita?”
Apóstolos: A Ariel e a pequenita Benedita (4º Ano B) pela mão dela