08 agosto, 2010

Pactuar com a estratégia de Pedro Passos Coelho é entrar num labirinto de onde dificilmente se sairá. Ponto-de-situação nº1

Como ponto-de-situação da estratégia labiríntica de Passos Coelho para a "sua revisão" da Constituição,
a bela imagem de M.C. Escher, apesar de um sebastianino nevoeiro, mostra PPC em tranquila refeição
enquanto muitos percorrem os caminhos que traçou sem perceberem que o estão fazendo...

No meu post "Pactuar com a estratégia de Pedro Passos Coelho é entrar num labirinto de onde dificilmente se sairá. Deprecia-la, também não é caminho....", que publiquei em 26 de Julho, eu via (e continuo a ver) uma estratégia de risco, perfeitamente alinhada com os interesses da direita. Enquanto a imprensa dava conta de reacções, na blogosfera choviam posts de todas as cores, formas e feitios (alguns, por sinal bem criativos e onde o coelho ganhou ao bacalhau, no que se refere às muitas maneiras de ser cozinhado). Dizia eu, nesse meu texto:
"Mas há sondagens. PPC resolve submeter o seu projecto ao "escrutínio" das sondagens. Isto é, sonda as sondagens e estas são-lhe favoráveis. Hoje mesmo (26 de Julho) a TVI/Intercampus dá destaque a resultados que PPC não deixará de aferir, oportunamente: "Se as eleições legislativas fossem hoje, o PSD de Pedro Passos Coelho era o grande vencedor, com 39,2 por cento..."
Logo três dias depois, em 29 de Julho, Passos Coelho vinha confirmar a minha tese dizendo que proposta de revisão constitucional era só um teste, assim:

«De certa maneira o debate constitucional nesta altura permite por um lado saber se conseguimos ou não um consenso alargado na sociedade portuguesa para evitar que a constituição permaneça como um programa de Governo socialista e em segundo lugar isso permite-nos a propósito dessas leituras saber que tipo de reformas precisamos fazer para futuro e é muito importante que o máximo consenso seja alcançado quanto a essas reformas independentemente de quem está no Governo».

Hoje, no Jornal Expresso ele recebe a auscultação que esperava. Pedro Passos Coelho estará, à hora que escrevo estas linhas, satisfeito com o teste à sua labirintica estratégia. Tinha antes, da sua proposta, 39, 2%. Agora a Marketest "dá-lhe" 36%. Perder pouco mais de 3 pontos, para perceber até onde o PS aceita ir, não é nada mau. Naquele mesmo semanário escreve-se: "Portugueses recusam revisão da constitucional"... Contudo, quem disse que Pedro Passos Coelho também a quer, nos termos em que a lançou? Quem diz que ele não está pronto a simular um recuo, trazendo atrás de si (quase) toda a gente, mesmo até aqueles por quem nutro alguma simpatia e respeito?

Pensem bem: Chegar aqui, com 35,8% de inquiridos a aceitarem como inevitáveis as alterações propostas para os sistemas de Saúde e Educação, não sendo uma vitória estrondosa, é um resultado encorajador. Basta que ceda um pouco nos poderes do PR e faça alguma cosmética nas propostas relativas às questões sociais e terá, de onde espera ter, o apoio necessário.

Quando chegar a altura de votar, acontecerá como o perú faz, vota no Natal e... zás!