10 março, 2012

Nem Cavaco é o bronco que parece, nem o governo o incompetente que dizem ser...


Há erros de análise perfeitamente justificáveis pela tosca postura e alguns deslizes dos governantes e da primeira figura do Estado. No essencial, nada se passa como se diz parecer que passa, apesar do alarido.

Cavaco, que não dá ponta sem nó (nem parece preocupado com descidas, mesmo que abruptas, de popularidade), vem colocar, por escrito, um problema (muito) difícil de resolver a Seguro: quando este se preparava para se demarcar da responsabilidade assumida por Sócrates em assinar o acordo com a troika, é obrigado a salvar-lhe a imagem. Jogada genial, desse jogador abstruso que ajuda, mais uma vez o coelho a sair da cartola. A quatro anos de ser verdadeiramente escrutinado o mandato, o timing é perfeito. 

O governo, não tem a incompetência que se lhe aponta. Com pequenas e pouco relevantes excepções (quem disse que o ministro Álvaro tinha que fazer o que se lhe critica não ter capacidade para fazer?) o governo está a cumprir, com toda a eficácia e (até) eficiência, as medidas a que se comprometeu. Que isso nos vai levar a uma situação dramática e de recuo civilizacional, vai. Mas o compromisso assumido nada tem a ver com isso. Seu desempenho está a ser considerado... exemplar. A grande questão não é pois uma questão de competência, mas sim do objectivo e das politicas seguidas para o atingir... custe o que custar.