15 março, 2012

Um dia em que se celebra muito mais que uma ironia


Dia do consumidor e dos seus direitos. Que ironia celebrar este dia. Por certo o celebra quem defende o direito de optar numa suprema liberdade de aceder a tudo, entre o público e o privado, esquecendo que hoje a opção é determinada por ter ou não condições para, pura e simplesmente, se manter... consumidor.  Celebrarão também aqueles que limitam suas exigências à transparência no processo de privatizações dos operadores de serviço público, cuja posse,  por parte do Estado, deveria ser considerada como a sua própria génese e razão de existir. Vale tudo, desde que a transparência e a visibilidade dessa transferência seja devidamente garantida oferecendo-se, assim puro, o espectáculo da perda do sentido do próprio Estado.

Não o celebrarão os outros. Não o celebrarão os que colocam como direito primeiro do consumidor o direito a um salário mínimo digno, sem o qual deixarão pura e simplesmente de ser gente. 
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Há mãos e vozes atadas 
no fundo de cabazes de misérias, 
amargo pão que o diabo amassou. Entala-se 
entre a fome e os dentes na boca dos homens 
para que não possam gritar...
...........................................................................(recuperado de um comentário da Lídia Borges)