05 fevereiro, 2013

A Escola Industrial Afonso Domingues, a escola da minha vida... em ruína... toda partida...


Fiz em tempos um texto que me encheu o peito, memórias do orgulho de lá ter estado...

Temo que meu país tenha o destino daquela escola que me acolheu em menino. Lembro-me bem o dia em que subi aqueles degraus, não a medo mas com o reservado respeito de quem entra numa etapa nova ao entrar no largo átrio da escola. Um amigo, atento (também) a este tempo deu-me a noticia e escreveu com o azedume de contribuinte ofendido: 
"É mais uma história pouco edificante de como, por inépcia e falta de planeamento, os governantes deitam o nosso dinheiro à rua. Em 2008 e 2009, durante o consulado de Sócrates, teve o seu momento de glória e foram lá enterrados muitos milhões de euros em avançadíssimas tecnologias. Um ano mais tarde, a pretexto da nova ponte sobre o Tejo, o mesmo governo decretou o seu encerramento. A ponte não se fez e, desde então, o edifício tem vindo a ser esvaziado do seu conteúdo e caminha, aceleradamente, para a ruína. Vale a pena ler." - escreveu ele.
E o texto lá está, inteiro. Não li. Não consegui. Mais que solidário, na qualidade de contribuinte que se sente, fico sentido por outro mais forte motivo: fui aluno. E aluno de peito cheio, pelo orgulho de o ter sido. Transcrevo do que disse me orgulhar:
"... não se consegue, sem treino, interromper a mente a quem tem 14, 15 ou 16 anos. Mais do que aprender a limar, a aprendizagem era a da concentração. A do domínio da mão sobre a alma, colocando esta quieta e calma. As vestes de operário, "fato-de-macaco", cumpriam, mais que o papel de proteger a roupa contra as manchas de óleo ou da limalha, a função da aprendizagem do significado do trabalho. Parece demagogia. Seria, se esse tempo passado tivesse ocorrido num só dia. Foi a maior lição de humildade por que passei. Como se sentiria Saramago (*) a andar por ali e passar por tal? Teria certamente um sentir igual..." - escrevi eu

13 comentários:

. intemporal . disse...

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. perdas ir.reparáveis . a que assistimos na inquietação de todos os dias . cada vez mais findos . a cada nascença .

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. é este o desassossego em que nos encontramos . perante este estádio de desgraça [quase] total .

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Sonhadora (RosaMaria) disse...

Meu amigo Rogério

Infelizmente o nosso País está num desgoverno total, deita dinheiro à rua sem nenhuns escrúpulos.
Quem paga tudo é sempre o mesmo...muito triste mesmo.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

São disse...

Sei a dor de ver em ruínas algo que nos foi muito importante e por isso te abraço solidariamente.

quem és, que fazes aqui? disse...


Não digo nada. Ou digo que por cada escola fechada haverá 30 anos de servilismo.

Já nem vejo futuro-livre para os meus bisnetos, se os tiver.

Consigo!

Beijinho

Laura

Rosa dos Ventos disse...

Li o triste destino dessa escola...
Lamento!
A minha vida profissional começou numa Escola Comercial e Industrial que agora é uma Secundária!
Não se fizeram as melhores opções com estas escolas que também eram denominadas "Técnicas"...
Sabe que até os professores das "Técnicas" trabalhavam mais horas e ganhavam menos do que os dos "Liceus"?

manuela baptista disse...

uma escola em ruínas,

é um vazio de crianças, uma ausência de futuro


um abraço, Rogério

JP disse...

Não é a única Rogério. Infelizmente, invocando isto ou aquilo, lá se vai deitando abaixo parte das nossas memórias. Neste caso nem isso. Fechou-se a escola por um punhado de nada....até cair aos bocados.

Abraço

Lídia Borges disse...


Não sei o que dizer, Rogério.

Já senti esse fio de sangue a escorrer da alma relativamente a escolas onde trabalhei e que, depois de remodeladas, foram encerradas.

Uma em especial - Santo Estêvão de Penso - uma pequena freguesia, cá do concelho. Plantei lá uma ameixeira com as crianças. Combinámos que iríamos colher as ameixas, todos os anos. Não cumprimos. A vida dá muitas voltas. Há dias, um rapaz, um homem, bem parecido interceptou-me na rua. Não o reconheci logo.
"Professora, sabe que ainda lá passo para colher ameixas?" Depressa um rostinho infantil apareceu por detrás da barba rasa.

"É triste não haver lá ninguém para as comer, agora".

Um beijo

jrd disse...

A Forja onde tu e tantos outros temperaram o aço, está a apagar-se.
É preciso reacender o fogo.

Abraço solidário

Graça Sampaio disse...

Uma pena para si e para muitos outros. Uma vergonha para o país!
Lamento.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Mete dó...
Não só ver o que fizeram à Afonso Domingues, mas também saber o dinheiro que nela investiram ants de a deixarem a apodrecer.
Não sou de cá, mas esta escola era uma marca de Lisboa.

Evaristo Pinho disse...

Também eu por lá passei, durante 6 anos, ( 3 diurnos + 3 nocturnos, de 1968 a 1974. Num país a sério bastava ter sido frequentada pelo José Saramago para haver preocupações com a sua preservação, com esta gente não valem de nada as lamentações. E que tal um movimento no sentido de forçar a reavaliação do encerramento, que poderia começar com uma concentração de antigos alunos/professores/funcionários, junto à escola?

Anónimo disse...

Tenho ntantas saudades desta escola Francisco Cruz 56 anos