25 fevereiro, 2013

Forças Armadas com almas civilizadas


Em boa verdade esperava um discurso corporativista e não ficar a ver a não ser para o perceber e abandonar logo que o confirmasse. Não confirmei e até direi que me surpreendi. A primeira parte foi praticamente ocupada em discutir o orçamento, sem entrar em detalhes, estes li num outro lado:
"Os que hoje falam de cortes, rácios, sacrifícios e da preocupação com a “dívida que deixaremos aos nossos netos” são os mesmos que, em tempo de “vacas gordas”, não quiseram saber de reestruturações e trataram de gastar “à tripa forra”: compraram equipamento do mais caro que existia no mercado, como no caso dos helicópteros EH101 e compraram em quantidades desnecessárias – 12 EH101 quando 9 chegavam, 12 aviões C295 quando 9 eram suficientes, 40 aviões F16 quando bastava uma esquadra, porque agora nem há dinheiro para o combustível nem para os pilotos, e entraram em negócios como os helicópteros NH90, do qual saíram há poucos meses com elevado prejuízo; optaram por submarinos em detrimento de navios adequados para a fiscalização; aceitaram a constituição de comandos conjuntos e outras estruturas, que resultaram em duplicações entre os ramos e o Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA) e entre o EMGFA e o Ministério da Defesa Nacional (MDN); aumentaram comandos funcionais, como seja o caso da criação do Comando de Instrução da Força Aérea Portuguesa, entre outros exemplos"
A segunda parte recomenda-se. È mesmo de ver.Destaco tudo e não posso deixar de me interrogar se não caberá às Forças Armadas papel (também) de cidadania quando se perde a soberania, mesmo se o território nacional não tenha sido fisicamente ocupado. Saliento que a palavra mais frequente foi "protectorado".
 
A síntese final posso dá-la referindo o apelo (ou desafio) às chefias militares para que formem os seus próprios grupos de trabalho e apresentem as suas próprias soluções. Se assim for, crê o General Fernando Seabra, que o Governo terá de agir de outra maneira. Não digo que não, mas não tenho tanta fé...