24 fevereiro, 2013

Carta de Minha Alma e do Meu Contrário, em dia de aniversário...

Por vezes ouvimo-nos a nós próprios, mesmo em dias cheios...
Olá caro Eu,
Lê esta carta quando estiveres a sós contigo, com ela e comigo, depois de todos terem saído e quando, na casa, apenas restarem os ecos de quem esteve a dar-te sorrisos. Vou ser breve, pois o que te tenho a dizer tu já o deves saber e a tua Minha Alma, por comovida, nada acrescenta. Foi um dia bonito, cercado de nossos. E é neste recato que te viemos desejar "muitos anos de vida" e outros desejos mais arredados de cantos cantados depois do sopro de tantas, tantas velas. Desejo que preenchas o tempo metendo-lhe coisas e gestos dentro. É que na celeridade com que passa, o tempo é inclemente para que se detém a vê-lo passar. A vida não te foi dada para te limitares contemplá-la. Ser espectador da vida antecipa a morte, mesmo se permaneceres vivo. Não faças isso, meu amigo. Este Teu Contrário muito lamentaria e à tua Minha Alma, aqui ao lado, também lhe desagradaria. Nas esperes que aconteça, vai e faz por acontecer. Ah, já me esquecia, que hoje seja "o primeiro dia do resto da tua vida".
Agora vai, desce à tua rotina de afectos e visita teu amigos.
Um beijo da tua Minha Alma
Um abraço deste teu Meu Contrário
(assinaturas irreconecíveis)