13 dezembro, 2013

Aproximem-se !


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"Aproximem-se!" dizia. Fui. Como não ir? O calor que emanava deu para recordar outra lareira, lembrar odores de lenhas de azinho, figueira e troncos das cepas velhas à mistura com a suavidade, um pouco acre, do café que ela, minha avó, trazia de Lisboa. De fumos, pouco ou quase nada pois a saída fumava bem...
Há idades em que o frio não conta. Agora me lembro que meu avô só não o tinha porque o espaço da chaminé dava para se sentar dentro dela, num maciço tronco que lhe servia de assento, junto ao braseiro. As mãos, secas e mirradas dos anos e das fainas, manejavam com a pericia experimentada em longos serões de inverno, o queijo a côdea e a naifa. Gestos lentos, apenas interrompidos para pegar na malga. O café aquecia-lhe a alma. A minha avó, essa, aquecia com a lida. Não parava. Eu nunca tive frio naquela casa, embora fosse pouco o tijolo, a telha fosse vã e o postigo mal encostasse, dado o empeno da madeira... Eram assim as férias de Natal, num encantamento que era prolongado com a euforia da chegada da família. Pai, mãe, irmã, tios, primos. Uma casa cheia de gente, sem presépio nem árvore enfeitada, nada... Na véspera, a ceia era prolongada e terminava com meu avô recitando Aleixo e eu cantando canções do Joselito. Na manhã do dia, por sobre o sapatos deixados junto à cinza da chaminé, os parcos brinquedos eram uma outra chama alvoraçando a nossa imaginação. Depois... depois era a abalada.
Nunca tive frio naquela casa...

12 comentários:

Maria João Brito de Sousa disse...

... e eu aproximei-me, claro!

Nunca tive frio emocional :)

Abraço grande!

Rui Pascoal disse...

Senti-me regressar à minha infância e à casa dos meus avós... e não pude deixar de sorrir.
Bem haja!

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Que gratas recordações.
Recuando no tempo não havia frio nem prendas. A pele das mãos era seca e áspera, mas elas, as mãos tinham vida e soltavam amor.

Um abraço e um desejo:
- Que sejas feliz hoje e em todos os dias de Natal, por muitos anos.

Mariazita Azevedo disse...

Olá, Rogério
Que bom te ver na minha «CASA» onde não aparecias faz tempo!
Gostei de te ver.

Naqueles tempos, naquelas casas... não se sentia frio porque o calor do Amor se sobrepunha a qualquer intempérie.
Hoje não há Amor bastante para isso (não sou saudosista, mas também não sou cega...).

Se não nos "virmos" antes, desejo, desde já, que neste Natal sintas o calor de antigamente.

Beijinhos
Mariazita
(Link para o meu blog principal)

Rosa dos Ventos disse...

Nunca se tem frio em casa dos avós...e dos pais!
Gostei de me aproximar!

Abraço

Mar Arável disse...

O Natal vai começar

Abraço

Lídia Borges disse...


O Natal da infância permanece no lado solar da alma, onde é sempre verão.

Como poderia ter frio?

Joselito!?...

Eu declamava versos, sem me enganar, e fazia "teatrinhos"com os meus irmãos. ;)

Cristina Cebola disse...

...
venho trazer um abraço, daqueles que nos fazem crescer e sorrir para a vida.

Agora e sempre, um Feliz Natal!!!

jrd disse...

Palavras que nos aquecem. Quem como tu sabe do calor do Natal de então?

Fê blue bird disse...

Aproximo-me meu amigo, pois se a sua lareira tem ligação com a minha.
Sigo o calor doce da nossa infância, as recordações que preenchem um vazio que agora sinto.
Acho que as crianças de agora não percebem como podíamos ser felizes só com um simples brinquedo ou com uma conversa em família.
Fui também admiradora do Joselito, via os seus filmes no velho cinema Promotora que fazia parte da escola primário que frequentava. Ia aos domingos de manhã de eléctrico, desde a Ajuda até ao Calvário para o ver e ouvir:)

Beijinho nostálgico e comovido


Feliz Natal!

Teresa Almeida disse...

Ninguém teria frio em tão acalorado afeto. Esta lareira tem um chamamento especial.
Gostei muito de me chegar a estas brasas.
Beijo meu.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Também me aproximei. Sem receio. Fiz bem, porque me fez lembrar a casa do meu avô, onde também nunca senti frio porque dele emanava o calor que contribuiu muito para hoje ser quem sou e pensar como penso.