18 dezembro, 2013

Hitler vs Pavlov: os cãezinhos amestrados e as lufadas de ar fresco (texto roubado)

"Enquanto as manifs na Grécia, Espanha ou Chipre, são quase silenciadas pela nossa comunicação social, a revolta popular em Kiev provocou uma reacção pavloviana nos jornais e televisões cá do burgo. Influenciados pelos congéneres ocidentais, invadem as nossas casas e inundam as pantalhas a toda a hora com imagens da BBC e da Sky sobre a gloriosa e justa revolta popular na Ucrânia, que conta com o apoio declarado de Frau Merkel e da dupla Obama/ Cameron , os Dupont e Dupond da cena política mundial.
(A independência dos jornais no mundo ocidental é igual à que existe nos regimes ditatoriais. A diferença é que nas ditaduras, a comunicação social é controlada pelos governos e nas belas democracias ocidentais é controlada pelo poder económico e financeiro, que dá ordens aos governos que colocaram no poder para melhor poderem defender os seus interesses).

Compreendo a luta dos povos por melhores condições de vida. Compreendo que os povos se revoltem contra ditaduras. Sabia que a apregoada primavera libertadora ia acabar mal, mas nunca critiquei a luta dos povos árabes.
Percebo que os ucranianos lutem pela adesão à UE, embora me pareça que estão a apostar no cavalo errado. (Se o contrato de adesão com a UE for assinado, sem que as exigências de Yakunovitch sejam aceites por Merkel, a Ucrânia irá enfiar-se num atoleiro e, a breve prazo, estará com os mesmos problemas dos países sob assistência. Mais lucros para a Alemanha com a desgraça de outros povos europeus, a única coisa que, além da cerveja faz salivar a dama da Stassi).

Ontem, o presidente ucraniano conseguiu não só que a Rússia reduzisse em mais de 30% o preço do gás, mas também- e mais importante - um apoio de 15 mil milhões de dólares ( a UE não estava disposta a patrocinar um apoio sem condições e pretendia que a UE recorresse ao FMI ) que permitirá à Ucrânia evitar o recurso ao FMI e as medidas de austeridade que Lagarde exigia para conceder um empréstimo.
Compreendo que um país onde a emigração não para de aumentar, é um país mal governado.No entanto, neste aspecto, parece-me que o presidente ucraniano esteve bem. Se a UE queria acolher a Ucrânia ( para depois esmifrar os ucranianos) não tivesse sido arrogante e inflexível. (Nem todos os governantes se chamam Coelhos e Portas, nem estão dispostos a trair o seu povo, com mira em recompensas futuras).
O que não compreendo é que um povo, vergastado diariamente por um governo invasor, dirigido por uma trupe de néscios e obediente na aplicação das medidas exigidas por Merkel, continue impávido e sereno, sem capacidade de reação. Não compreendo, porque sempre detestei cobardes e considero os cãezinhos amestrados uns animais muito idiotas. Iguais a alguns jornalistas que pululam nas redacções.
O que me sinto incapaz de aceitar é a legitimidade das críticas de Catherine Ashton, ou Merkel, à intervenção da polícia e consequente apoio à justa luta popular ucraniana, quando as mesmas condenam a reacção popular dos gregos e nunca tiveram uma palavra para a violência das policias grega, espanhola e até portuguesa, contra os manifestantes que criticam a troika e as esclavagistas políticas europeias em relação aos países do sul, de que elas são acérrimas defensoras.
Quem foi que disse que as mulheres no poder seriam uma lufada de ar fresco, quem foi? Espero que já se tenham arrependido porque, na Europa, ainda não houve uma única mulher que tivesse uma política orientada para a sensibilidade social e, em muitos casos, não passam de histéricas deslumbradas com o poder."

Postado por Carlos Barbosa de Oliveira, no "Rochedo"