08 dezembro, 2013

Geração sentada, conversando na esplanada - 43 (rádio, televisão e um iPad sempre à mão)

(ler conversa anterior)
"...O rádio traz notícias do centro e assim o ouvido das pessoas que vivem na periferia torna-se uma parte fisiologicamente central, fisiologicamente atualizada." 
Gonçalo M. Tavares, Noticias Magazine

O cão rafeiro do senhor engenheiro percebeu que eu não tirara os olhos da Gaby e foi farejá-la, talvez para se assegurar que estava tudo bem. Levou como resposta uma festa que lhe foi concedida, distraidamente. Depois sentou-se, a olhar ora um ora outro, apenas movendo a menina dos olhos. Longos foram os minutos que duraram a navegação e de link em link eu percebia por onde a Gaby ia passando. Era o itinerário que o meu post tinha traçado.
Quando acabou, levantou-se e dirigiu-se à minha mesa, coisa que não fazia há muito. Posso? disse, enquanto se sentava sem esperar a resposta. O que escreveu, deixou-me confusa. Se não fosse Cuba... se não fosse a batalha de Cuito Cuanavale a viragem não se daria, o apartheid ainda seria uma realidade e a morte de Mandela nem sequer seria difundida? É isso?
- A história não se escreve com "ses"...
- Mas é o próprio Mandela que reconhece que foi a intervenção cubana a viragem para a luta de libertação...
- É um facto. Outro facto foi a intensa movimentação da opinião e até a diplomática contra aquele regime, nomeadamente na ONU, mas o facto decisivo foi a existência da luta do ANC e do seu líder...  qualquer um, isoladamente, seria insuficiente...
- O contexto em que Mandela lutava foi mudado... por tudo isso?
- Humanizou-se a circunstância!, disse sorrindo e acrescentou - A foto é linda, amanhã vou-me encher de coragem e mostrá-la... na aula!
Só então percebi que a Gaby era professora de história. Amanhã dará uma aula fora do programa.