15 dezembro, 2013

Geração sentada, conversando na esplanada - 44 (Meu deus, quanta indulgência...)

(ler conversa anterior) 
"Desemprego é vergonha colectiva" 
Gonçalo M. Tavares, numa cavaqueira à maneira
imagem retirada da net
Contive-me. Minha Alma e Meu Contrário decidiram num momento e Eu desisti de ir. Fiquei a pouca distância, e todos eles lá estavam como costumavam. Ao meio, o meu lugar vazio. De que falariam hoje? As professoras certamente dos tais exames... ou do jantar de Natal marcado para os humilhados, ofendidos e sem-abrigo... ou de Mandela... ou de tudo isso. O senhor engenheiro falaria sobre coisas que os humanos partilham nas conversas com rafeiros e daria, por certo, ao seu dócil cão metade do bolo do costume... Olhei-os de longe sem a preocupação de me ocultar. Na verdade até, no meu intimo, desejava que me vissem e que se interrogassem sobre o meu afastamento.
Minha Alma reviu a posição inicial e segredou-me ao ouvido- "vai lá!" - Meu Contrário deu-me idêntico empurrão e Eu não disse que não, fui. Fiz longo o curto caminho dando tempo para burilar as palavras que iria usar em torno da indulgência por parte de quem tem o poder de mudar o mundo e se enreda em palavras frouxas, passivas e, por isso, coniventes...

(Falei disso, mas fiquei sem saber se me deram grande atenção.)