06 novembro, 2014

"O Desafio da Educação" - II


Quanto à autonomia das escolas, quando a FENPROF cita o CONSELHO NACIONAL DA EDUCAÇÃO significa que são da mesma opinião:
 «...enquanto a administração educativa se mantiver fortemente centralizada, a autonomia das escolas não passará de uma intenção recorrentemente anunciada, mas sistematicamente contrariada.
Aliás, este alargamento da contratualização dá-se, paradoxalmente, num contexto de recentralização, favorecido quer pelas plataformas informáticas, quer pela constituição de mega-agrupamentos, tal como o Conselho Nacional de Educação (CNE) recentemente denunciou, ao afirmar que a criação de agrupamentos de grande dimensão tem vindo a criar problemas novos onde eles não existiam alertando, também, para a recentralização do poder na administração central, agora reforçada na sua capacidade de controlo de tudo e todos, pelas novas tecnologias (Recomendação nº 7/2012, CNE). »
 ... e quando eu cito o Bolimundo, num comentário lá deixado, quero dizer que comungo do seu escrever (ainda que ele transcreva um trecho de um livro há muito lido):
«– Observem – disse o Diretor, triunfante. – Observem. Os livros e o barulho intenso, as flores e os choques elétricos – na mente infantil essas parelhas já estavam ligadas de forma comprometedora; e, ao cabo de duzentas repetições da mesma lição, ou de outra parecida, estariam casadas indissoluvelmente. O que o homem uniu, a natureza é incapaz de separar. – Eles crescerão com o que os psicólogos chamavam de um ódio “instintivo” aos livros e às flores. Reflexos inalteravelmente condicionados. Ficarão protegidas contra os livros e a botânica por toda a vida. – O Diretor voltou-se para as enfermeiras. – Podem levá-las.»
in "Admirável Mundo Novo", Aldous Huxley
Só não chegaremos a este estado, se não tivermos cuidado...