07 novembro, 2014

Um fim de tarde entre amigos... e seus livros

«Presa ao sopro, eu, que nada posso contra a força invisível das palavras sublevadas da superfície das coisas que não importam, descobri um dia que existia um mar arável, uma transparência macia a consubstanciar-se em ecos poéticos, liquidez onde descansar de tantos dias cheios de ramos secos e mortos a tornarem difícil o caminho térreo da nossa alegria (...)» Virginia do Carmo, "Em jeito de prefácio" ao "Presos a um sopro de vento" - Poética Edições

Licínia Quitério iniciou suas palavras citando as de Virginia do Carmo e, embalada por elas, apresentou os autores. Primeiro, Eufrázio Filipe, cujo livro estava a ser lançado - Presos a um sopro de vento - e disse poemas dele, como só ela sabe dizer. Depois, Manuel Veiga, cujo livro estava a ser apresentado - Poemas Cativos - já há tempos lançado

Belos momentos (e descontraídos, também).

  
Chamei-te mar
No mais íntimo da pele
desgrenhei o vento
para te desassossegar os cabelos
escrevi na água
da chuva
para ver
como as palavras
se desmoronam

No mais íntimo da pele
lá estavas azul
tão azul tão azul
que te chamei mar

e já é tanto

Eufrázio Filipe, em "Presos a um sopro de vento", 
Poética Edições, Novembro de 2014