12 maio, 2019

Dominical liturgia [citando Sophia] - 17

  Há nos poemas de Sophia uma actualidade que registo. Parece interveniente. Parece que se cola a valores a defender aqui e agora. Parece...


As Pessoas Sensíveis

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

«Ganharás o pão com o suor do teu rosto»
Assim nos foi imposto
E não:
«Com o suor dos outros ganharás o pão»

Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem

                                                        (in Livro Sexto, 1962)
A Forma Justa 
Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
(...)
Sei que seria possível construir a forma justa
 De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo
 (...)
(in O Nome das Coisas)

5 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Dois excelentes poemas, e muito atuais, sim.
Abraço e uma boa semana

Anónimo disse...

Tens razão; a contínua actualidade e a interveniência activa são duas das mais belas características dos poemas de Sophia.


Abraço,


Maria João

Rosa dos Ventos disse...

Sempre actual a incontornável Sophia!

Abraço

Larissa Santos disse...

Bom dia. Gostei de ler:))

Hoje :-
Existem sussurros na brisa.


Bjos
Votos de uma óptima Segunda - Feira

ematejoca disse...

Tenho esses dois livros de Poesia da Sophia.
Eu separo sempre a obra do autor | da autora.