13 maio, 2019

É verdade, (também eu) entro na campanha! - II


Até que enfim que fico na fotografia (o que há muito não acontecia, dado a que sou normalmente eu o fotografo)... Numa sala a que tiveram de ser acrescentados lugares para acolher todos os quiseram estar, as primeiras palavras foram as de Manuel da Fonseca e Armindo Rodrigues, pela voz bem colocada de André Levy, que em dia de aniversário teve a generosidade de ser ele a oferecer ao colectivo a declamação de poemas daqueles e um de sua autoria. Este, assim:
Sou europeu, pois sinto-me
produto de uma longa história
de tribos e reinados
mistura de populações
Guerras e pogroms
Cruzadas, inquisições
descobertas e conquistas
estados e nações
De belas paisagens e culinárias
Gente de muitas feições
E tantas tantas línguas
culturas e tradições
cantares e pensares
De druidas a sacristões
de Aristóteles a José Socrates
e mais sábios e cabrões
Mas hoje Roma, Schengen
Maastricht, Amesterdão
Bruxelas, Nice, Lisboa
Não são paragens num circuito turístico
Pelo continente
São actos de rendição
momentos em que ao nosso país
mistura de carne, terra e mar
foi levado o que de mais rico
traz ao mundo e tem para dar
E querem tirar-nos a nossa voz
O nosso querer
o nosso poder de decisão.
Mas a tal tamanho roubo
Eu só posso dizer: não.
Por isso não sou união europeu
sou patriota e português.
Mas não me confundam com um nacionalista,
xenófobo, racista.
Quero o melhor para o meu povo
E sou internacionalista.
Porque razão havia eu de pensar
que esta ou aquela nação
é melhor ou pior
mais gorda, esperta
branca, pernalta
mais valente ou imortal.
Eu ser português foi um acaso.
Mas é neste canto do mundo
Onde tenho raízes
Que defendo o património humano e material
Histórico e cultural
Do nosso povo,
De qualquer povo
De todos os povos, por igual.

André Levy

1 comentário:

Anónimo disse...

De saída para o hospital e depois de ter estado a tentar, desde as sete da manhã, aceder à net sem o conseguir, aproveitando uma já inesperada oportunidade de entrar neste reino dos algoritmos, entrego a carta a Garcia e digo-te que gostei muito do poema do André Levy, bem como das eloquentes palavras do camarada deputado João Ferreira.

Forte abraço,


Maria João