09 maio, 2019

O rio e o voto


Um rio...
Um rio é um rio, e parece estar tudo dito
Acrescentar que tem de ter
uma nascente e margens, para entre elas correr ,
parece pura perda de tempo,
coisa de quem não tem onde ocupar o pensamento
Não é verdade
Falava um poeta sobre o comportamento das águas
quando esmagadas pela pressão violenta das margens
Então falemos nós dos diques de palavras ponte-agudas
escolhidas a dedo de entre as que metem medo
para suster o livre curso das águas
nada mais fazendo que retardar o destino
do rio, ainda fraco, ainda menino
Venham as primeiras chuvas que o façam crescer
e o poema, sabe-mo-lo todos nós,
percorrerá o sentido inevitável da foz
Rogério Pereira
Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento.
Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem.
Bertold Brecht
O voto é a arma do povo
Disse Alguém
Imagem retirada daqui

2 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Pena que o povo se abstenha de a usar.
Abraço e bom fim-de-semana

Anónimo disse...

Um rio será sempre um rio e são as margens o que o definem como tal. Há uma relação profundamente simbiótica entre o rio e as suas margens.

Como muito bem escreves, Rogério, ..."Venham as primeiras chuvas que o façam crescer/e o poema, sabemo-lo todos nós,/percorrerá o sentido inevitável da foz".

Continuo a considerar que sim, que o voto é uma das grandes conquistas do povo.

Abraço,


Maria João